Na Primeira Leitura, Gn 2, 18-24, vemos o matrimônio como símbolo de que Deus criou o ser humano (homem e mulher) para
a igualdade de condições e para a
comunhão fraterna.
O Homem e a Mulher são criaturas de Deus com igual
dignidade. Ambos vem do pó e tem em si o
sopro divino da vida. O importante não é
o ter, o poder, mas a capacidade de amar, de relacionar-se.
O matrimônio simboliza também a união íntima entre Cristo e
a Igreja. Se Cristo tem amor predileto
pelos pobres e pela causa dos pobres, e, por causa dos pobres tem zelo pela
justiça, a fidelidade a Cristo, como Mestre e Senhor passa pela misericórdia
com os pobres e pela construção da justiça social, para concretizar a
verdadeira caridade.
No AT só o homem podia dar o documento de divórcio à
mulher. Os fariseus e doutores da lei
estão querendo legitimar a discriminação da mulher como parte integrante do
projeto de Deus. Na legislação romana
também a mulher tem o direito de tomar a iniciativa e pedir o divórcio.
No Evangelho de Mc 10, 2-16: Jesus vai colocar o matrimônio na lógica do
projeto de Deus. Quem se divorcia de sua
mulher e casa com outra, comete
adultério contra a primeira. E se a mulher se divorcia de seu marido e casa com
outro, comete adultério (Mc 10, 11-12). Jesus põe Homem e Mulher em igual
condições e os torna para sempre um responsável pelo outro.
Em Mc 10,13-16 Jesus faz opção pelos pobres. Terminada a
catequese sobre o matrimônio, Marcos insere uma cena na qual são apresentadas
crianças a Jesus para que Ele as tocasse. O texto quer mostrar o que a
Comunidade deve fazer com os pobres. As
crianças, por serem indefesas, sem ter poder de decisão, representam todos os
empobrecidos e marginalizados da sociedade.
Os discípulos procuram afastar as crianças de Jesus. Eles
acham que os pobres não devem incomodar o mestre. Jesus se irrita com os discípulos e garante
que o Reino de Deus é dos pobres.
Na segunda leitura,
Hb 2, 9-11, Os destinatários do
texto são um grupo de cristãos querendo abandonar a fé em Jesus. Supõe se que
são cristãos convertidos da comunidade cristã de Roma.
· Eles sentem a dificuldade em aceitar a forma
humilhante e dolorosa da vida de Jesus (Hb 2);
· Estão sendo perseguidos por serem cristãos;
· Estão desiludidos por não verem realizada a
salvação final;
· Tem forte influência do AT.
O Projeto de Deus é conduzir a humanidade à vida Plena, pela
mediação de seu Filho Jesus. Jesus se torna irmão solidário dos homens e assume
totalmente os problemas dos pobres até a morte na cruz. A humanidade encontra em Jesus um semelhante
seu, capaz de ser sua garantia junto a Deus, como verdadeiro sacerdote. Doravante,
Jesus é o único mediador entre Deus e os homens. Ele é o único santuário e
sacerdote, fiel à Deus e solidário com os homens. E o sacrifício de Jesus, de agora em diante,
é o único agradável a Deus. Este texto é
importante no quadro geral do novo testamento: Apresenta Jesus como aquele que
supera a Instituição Cultural do Antigo Testamento.
Os cristãos são convidados a superar o escândalo da paixão e
morte de Jesus e caminhar com o Ressuscitado, dando continuidade ao Projeto
iniciado por Jesus.
Pe José Bortolini
In Roteiros Homiléticos, Ano B, 27º Domingo.