sexta-feira, 22 de maio de 2020

REDE DE SOLIDARIEDADE PELA VIDA EM DEFESA DOS EXCLUÍDOS


REDE DE SOLIDARIEDADE PELA VIDA EM DEFESA DOS EXCLUÍDOS
FORMAÇÃO, INFORMAÇÃO, TROCA DE EXPERIÊNCIAS, ORGANIZAÇÃO, MISSÃO.

“Vinde a mim vós todos que estais cansados sob o peso do vosso fardo
e eu vos darei descanso" (Mt 11,28).


1.     JUSTIFICATIVA  - POR QUE ORGANIZAR UMA REDE DE SOLIDARIEDADE?

A lógica da economia neoliberal é de concentração e exclusão. Desta economia excludente deriva: empobrecimento, desemprego, narcotráfico, dependência química, criminalidade, violência infanto juvenil, violência doméstica, desestruturação familiar, população de rua, desumanização do ser humano.

Existem muitas comunidades com diversas tipos de carências e desafios, sem nenhuma resposta.

O cristão não pode permanecer indiferente aquele que sofre, pois a razão do “ser cristão” é o compromisso com o pobre. 


Por outro lado existem:
  • Pessoas querendo respostas para as carências da comunidade e não sabe o que e como fazer;
  • Pessoas trabalhando sozinhas e se sentindo incapazes de responder aos desafios que se apresentam;
  • Entidades, grupos e ações sociais que não atingem satisfatoriamente seus objetivos;
  • As políticas públicas e os serviços estão desarticuladas gerando uma prática social fragmentada;
A Rede de Solidariedade deve responder a necessidades locais pela integração de recursos humanos e materiais, empoderando as pessoas, resgatando a dignidade, construindo a cidadania, promovendo a vida.

Precisamos pensar e agir de uma forma mais ampla. Precisamos ter uma ação local com visão global. 
Sem tirar o específico dos grupos e entidades, precisamos acompanhar as reflexões que as entidades, conselhos e fóruns estão fazendo a nível local, regional, estadual e nacional, em vista da conquista e garantia de direitos para os excluídos da sociedade.

A Rede deve ajudar a integrar, potencializar e multiplicar os serviços a fim de atender as necessidades das comunidades. O Fórum da Rede se constitui no espaço de aprofundamento e de intercâmbio das práticas.    É uma metodologia para fazer a multiplicação dos trabalhos sem multiplicar os encontros. 

A comunicação e o “fórum” serão estratégias básicas da nossa ação.

VANTAGENS DE SE ORGANIZAR EM REDE:
  1. Animar e fortalecer a dimensão sócio transformadora da Igreja e da Sociedade;
  2. Articular, integrar, fortalecer e multiplicar ações em defesa da vida junto a grupos e comunidades carentes;
  3. Buscar informações, experiências e parcerias para atender as necessidades das comunidades;
  4. Integrar e articular as práticas comunitárias com as políticas públicas a nível municipal, estadual e federal;
  5. Integrar as carências com os recursos existentes (eclesiais, públicos ou sociais) e com as políticas públicas;
  6. Capacitação conjunta dos agentes comunitários;
  7. Avaliar e fortalecer o papel das entidades;
  8. Multiplicar alternativas de autodesenvolvimento;
  9. Espaço de debate para aprofundamento, revisão e fortalecimento das ações.
  10. Elaboração de ações conjuntas para enfrentar desafios;
  11. Ser presença evangélica junto: aos pobres – solidariedade; à Igreja – acordar; à sociedade – testemunhar os valores do Reino; aos poderes públicos – pressionar.
  12. Contribuir para a organização e mobilização das comunidades carentes na reivindicação de seus direitos;
  13. Fortalecer o compromisso social dos cristãos;
  14. Compreensão dos desafios e das novas exigências para a eficácia da ação, hoje. Rever e redimensionar a nossa prática visando ampliar o exercício da cidadania e o resgate de direitos;
  15. Ter um espaço comum de debate, de formação, de formulação de políticas de intervenção social, a partir dos excluídos;
  16. Conectar as práticas e reformular as estratégias de intervenção na sociedade;
  17. Despertar as comunidades empobrecidas para a preservação e o resgate da vida, através de um processo de organizações que supere as necessidades, passo a passo, numa dialética: Ação + Reflexão + Ação.

       AÇÕES QUE PODEM SER DESENVOLVIDAS PELA REDE:   
  1. Formar uma rede de lideranças, entidades, grupos, movimentos e pastorais para troca de experiências, integração, formação e multiplicação dos serviços a fim de atender as necessidades do povo nas bases;
  2. Multiplicar as lideranças e os trabalhos nas bases;
  3. Estudar os documentos: Conferência de Aparecida; Diretrizes da CNBB; Alegria do Evangelho; Laudato Si e Diretrizes Gerais da CNBB 1995-1998 (a participação na sociedade pelo bem dos pobres como conseqüência da Missão);
  4. Mobilizar e orientar grupos e comunidades para participação nos Conselhos Municipais, na Câmara Legislativa, nos colegiados escolares;
  5. Articular os trabalhos sociais com as políticas públicas visando garantir a eficácia na conquista de direitos;
  6. Promover a formação político-econômico-bíblico-pastoral e teológica para a missão hoje, através de seminários, estudos em grupos, indicações bibliográfica, sites, subsídios;
  7. Desenvolver uma mística bíblico-libertadora para o compromisso sócio transformador das comunidades;
  8. Promover a formação de lideranças visando responder, de modo mais eficaz, aos desafios da realidade;
  9. Elaborar subsídios visando dar suporte as pastorais e serviços comunitários;
  10. Ver o que existe de desafios, ver o que existe de respostas e canalizar recursos com carências.
  11. Priorizar comunidades e grupos em alta vulnerabilidade para ações de intervenção social;
  12. Assumir o Mundo do Trabalho como prioridade pastoral e como eixo condutor de todas as ações pastorais e político-sociais;
  13. Ter uma equipe executiva para refletir, animar e encaminhar os trabalhos;
  14. Organizar uma Central Missionária para atuar junto aos desafios sociais;
  15. Apoiar pessoas que queiram atuar junto a grupos ou comunidades em situação de vulnerabilidade social;
  16. Acompanhamento à comunidades com alta vulnerabilidade social para descoberta de lideranças e implementação de ações locais;
  17. Organizar um grupo de Estudos Sócio Político em parcerias com as universidades e entidades afins para ajudar nos diagnósticos e implantações de projetos e pastorais sociais;
  18. Assessoria técnica e jurídica na elaboração, monitoramento e avaliação de projetos sociais.
  19. Coordenação de Fóruns, seminários e eventos de integração e capacitação para os serviços sociais;
  20. Manter um blog atualizado com divulgação dos serviços públicos, eclesiais e sociais, troca de experiências, ofertas de formação (bíblica, teológica, pastoral, missionária);
  21. Promover seminários, semana social brasileira, feiras ou encontros das pastorais sociais para integração, fortalecimento e multiplicação dos trabalhos nas bases;
  22. Captação de recursos e criação de um fundo social para subsidiar a formação de agentes, participação em cursos/congressos, implantação de pastorais e serviços sociais, considerando o acúmulo de experiências de outros municípios e Estados;
  23. Elaborar o MAPA DA Exclusão e da Solidariedade;
  24. Elaboração e manutenção atualizada do Banco de Dados das atividades político-sociais
  25. Ser presença evangélica na sociedade:

  • Junto aos pobres - Solidariedade
  • Junto a Igreja - Acordar;
  • Junto aos poderes públicos - Pressionar.

FORMAÇÃO
  1.  Fundamentação político-econômico-social-Bíblico-teológico-pastoral.
  2. O Projeto Bíblico e o Projeto de Jesus Cristo;
  3. Análise de estrutura e conjuntura;
  4. Políticas Públicas e organizações sociais;
  5. Perspectivas e Metodologia popular;
  6. Mística contemplativa e libertadora.

DIAGNÓSTICO  E FORMAÇÃO PASTORAL


  1. Mapear a realidade econômica, social, política e ideológica da região (área geográfica, população, infraestrutura, ruas, iluminação, água, asfalto, saneamento básico, empregos, escolas, cursos técnicos, universidades);
  2. Mapear todas as forças ideológicas da região (Igrejas, escolas, lideranças, entidades, grupos sociais);
  3. Mapear todos os recursos humanos e materiais existentes;
  4. Mapear todos os problemas sociais das comunidades/região;
  5. Analisar as causas dos problemas sociais, buscar parcerias e elaborar estratégias de intervenção social.
  6. Desenvolver uma mística e metodologia libertadora;
  7. Promover adequada capacitação de agentes visando garantir a eficácia em ações sócio transformadoras.

METODOLOGIA:
VER – ANALISAR- APONTAR SAÍDAS – ARTICULAR-SE - AGIR EM REDE.

  1. Partir dos problemas: fazer um levantamento profundo da realidade com ajuda da comunidade e de profissionais.
  2. Buscar as causas: aprofundar, com a ajuda de profissionais, as causas que geram tais problemas
  3. Capacitação conjunta dos agentes comunitários;
  4. Avaliar e fortalecer o papel das entidades;
  5. Multiplicar alternativas de autodesenvolvimento;
  6. Espaço de debate para aprofundamento, revisão e fortalecimento das ações.
  7. Elaboração de ações conjuntas para enfrentar desafios;
  8. Ser presença evangélica junto: aos pobres – solidariedade; à Igreja – acordar; à sociedade – testemunhar os valores do Reino; aos poderes públicos – pressionar.
  9. Contribuir para a organização e mobilização das comunidades carentes na reivindicação de seus direitos;
  10. Fortalecer o compromisso social dos cristãos;
  11. Compreensão dos desafios e das novas exigências para a eficácia da ação, hoje. Rever e redimensionar a nossa prática visando ampliar o exercício da cidadania e o resgate de direitos;
  12. Ter um espaço comum de debate, de formação, de formulação de políticas de intervenção social, a partir dos excluídos;
  13. Conectar as práticas e reformular as estratégias de intervenção na sociedade;
  14. Despertar as comunidades empobrecidas para a preservação e o resgate da vida, através de um processo de organizações que supere as necessidades, passo a passo, numa dialética: Ação + Reflexão + Ação.
  15. Apontar saídas para erradicar as causas dos problemas: desqualificação profissional, desemprego,  falta de moradia,   falta de saúde, falta de políticas públicas nas periferias, fome,  abandono da terceira idade, população de rua, alienação política e outros
  16. Incentivas e apoiar movimentos de  Geração de Trabalho e Renda, Movimento da Moradia; Universidade Mútua, Fé e Cidadania; Conselhos Populares; Pastoral / Movimento da Terceira Idade; Leitura Popular da Bíblia – CEBI; Segurança Alimentar; Movimento pela ética na política. 
  17. Articular-se com pastorais, movimentos, ONGs em nível local, micro-regional, regional, nacional, continental e mundial.
  18. Agir em REDE a fim de potencializar e garantir a eficácia da ação.

CENTRO DE APOIO AO TRABALHADOR

  1. Lugar de acolhimento;
  2. Cadastramento por área de cursos;
  3. Encaminhamento para os cursos que já existem;
  4. Buscar os cursos que faltam: pedreiro, marceneiro, carpinteiro, langerie, costura, cozinha.
  5. Buscar entidades para financiar projetos.
  6. Mapear as entidades profissionalizantes com suas respectivas infra-estruturas;
  7. Chamar as empresas para apoiar projetos profissionalizantes.
  8. Trabalhar em conjunto com as iniciativas de apoio ao trabalhador
  9. Fazer um Banco de Dados de todas as entidades profissionalizantes e dos cursos administrados por cada uma delas (SENAI, SENAC, SESI, SENAR, Fundação Nhazinha Cintra, CEPRO HUMANO, Casa de Guadalupe, Alan Kardec, AMMA, GRAMA, AAAP, Ação Benedito e outros).
  10. Ver cursos dados pela SEDESE


PROPOSTAS DOS FÓRUNS 
DE ECONOMIA POPULAR SOLIDÁRIA – ITAJUBÁ E REGIÃO

  1. Fazer um diagnóstico das possibilidades de nossa região, identificando as fontes de geração de renda;
  2. Promover a articulação das entidades, ONGs, cooperativas populares e grupos empreendedores já existentes;
  3. Investir na criação de associações e cooperativas populares de produtos e serviços urbanos e rurais;
  4. Investir na agricultura e produção familiar com marca própria para comercialização;
  5. Apoiar as feiras livres de economia solidária;
  6. Promover a multiplicação dos Fóruns de solidariedade e ação política;
  7. Promover parcerias com as universidades e poderes públicos;
  8. Capacitação profissional (recursos humanos, materiais, financeiros);
  9. Investir em grupos de Geração de Renda com Economia Solidária;
  10. Investir em cooperativas; Empreendedorismo; Cooperativismo;
  11. Produção + Industrialização + Comercialização;
  12. Rede de apoios;
  13. Rede de Compradores;
  14. Rede de Comercialização;
  15. Feiras;
  16. Marcas que aglutinam diversos produtos e serviços;
  17. Implantar um núcleo de trabalho, na nossa região, com a filosofia, a metodologia e a espiritualidade da Cáritas.



AÇÕES PARA GARANTIA DE 
SEGURANÇA ALIMENTAR

O QUE PODEMOS FAZER PARA GARANTIR UMA SEGURANÇA ALIMENTAR NUTRICIONAL SUSTENTÁVEL EM NOSSA REGIÃO:


  1. Desenvolver hortas comunitárias nos bairros, dando preferência para as comunidades mais carentes,
  2. Implantar hortas comunitárias nas escolas e promover a educação alimentar das crianças e jovens;
  3. Ter criatividade e diversificação na produção e consumo dos alimentos;
  4. Trabalhar em parcerias: comunidades, entidades e órgãos públicos;
  5. Promover um seminário específico sobre agricultura urbana com apoio do poder público municipal;
  6. Promover cursos sobre aproveitamento de alimentos;
  7. Capacitar lideranças, associações, entidades e comunidades sobre as leis e os programas de Segurança Alimentar, Nutricional sustentável;
  8. Criar programas de segurança alimentar em parcerias com entidades afins e com os órgãos públicos;
  9. Criar o Conselho Municipal de Segurança Alimentar Nutricional Sustentável articulando as diversas iniciativas da Sociedade Civil com o poder público local para a construção de ações e políticas públicas em SANS.
  10. Buscar a isenção do IPTU para proprietários de terrenos com hortas comunitárias implantadas;
  11. Organizar um Centro de Referência Alimentar na região com valorização dos produtos orgânicos;
  12. Garantir a Segurança Alimentar Nutricional Sustentável á população em situação de vulnerabilidade;
  13. Elaborar Projetos para desenvolver a Segurança Alimentar;
  14. Promover a educação das comunidades para uma alimentação adequada e sustentável, valorizando a produção e o consumo dos produtos orgânicos.


NATUREZA DA REDE
           
A Rede é cristã, ecumênica, suprapartidária, sem fins lucrativos e tem por objetivo promover a articulação dos movimentos e pastorais comprometidos com os mais excluídos de nossa sociedade visando o empoderamento, o protagonismo, o exercício da cidadania e o resgate  da dignidade humana.

DINÂMICA DA REDE:

  1. Animar, convocar, capacitar, integrar, multiplicar e potencializar;
  2. Fóruns, feiras, Banco de Dados, Rede On-line, contatos pessoais.
  3. Convergência – interação - irradiação
  4. Autonomia, interdependência, pontos comuns.


Participantes: Entidades civis, Igrejas, sindicatos, partidos, associações de bairro, secretarias públicas, conselhos, movimentos populares etc.

Público alvo: Obras paroquiais,  equipes pastorais, lideranças cristãs, lideranças de grupos populares, associações de bairros, sindicatos, secretarias públicas, partidos etc.

Bandeiras: Organização para o trabalho; a organização dos trabalhadores; terra, saúde, formação bíblica, formação política, organização da juventude, terceira idade etc.


MÍSTICA DA REDE

Manter a mobilização. Construir a solidariedade. Manter viva e ativa a esperança na vida e na luta. Desenvolver uma criatividade surpreendente. Apostar no coletivo. Unir todas as forças e romper com a visão fragmentada da realidade. Buscar e acreditar nas razões de nossa esperança. Reforçar a nossa mística. Aprofundar o nosso relacionamento. Co-sentir com o povo. Saber o que o povo passa de fato. Estamos com o povo mais não sentimos o que o povo sente, passa. Ter compreensão humana, solidária para resgatar os companheiros na luta. Muitos se cansam e param. É preciso solidariedade entre as pessoas e aprofundamento da nossa mística.

Despertar as comunidades empobrecidas para a preservação e o resgate da vida através de um processo de organização que supere as necessidades, passo a passo, numa dialética: ação – reflexão – ação.

O único caminho é o da convivência com as comunidades ou categorias empobrecidas, ajudando para que o povo supere a ideologia do auto desprezo, resgate a autoestima, se aproprie dos seus saberes e fazeres e se assumam como sujeito da história.

Quem elabora um projeto constrói esperanças. Quem coordena projetos, soluciona problemas. A comunidade deve participar na elaboração do projeto. Isto ajuda ela acordar-se. O projeto é a nível de execução.



Ser uma presença profética na sociedade. Os profetas são homens e mulheres que se colocam junto ao povo para denunciar as injustiças, anunciar o Projeto de Deus e transformar a realidade. Em cada tempo e lugar Deus suscita profetas para que, em seu nome, tornem presente o seu amor e defendam a vida dos mais fracos. É preciso recobrarmos o vigor do Espírito e construirmos com os empobrecidos de nossa história, a hora da braça: um novo kairós.


"Tive fome e me deste de comer.
tive sede e me deste de beber."
(Mt 25,35)