terça-feira, 25 de agosto de 2020

ESPIRITUALIDADE PARA OS VISITADORES

             A Igreja nasce da missão de Evangelizar: “Ide, portanto, e fazer que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos!” (Mt 28,19 e 20).


A Igreja é, por sua natureza, missionária. Ela nasce da missão do Filho e do Espírito Santo, segundo o desígnio de Deus Pai. Deus nos chama gratuitamente a participar da sua vida e da sua glória.

Evangelizar é missão de toda Igreja (de toda comunidade eclesial) e não apenas de grupos ou pessoas.

A marca do missionário é a sua profunda paixão por Jesus Cristo e pelo Projeto de Jesus Cristo.   Missionários são pessoas que experimentaram o amor de Jesus e assumiram a pessoa de Jesus, sua prática e seu projeto.


A graça de todas as pessoas é encontrar o Cristo Vivo.

Nossa missão é possibilitar com que toda pessoa: homem e mulher, faça uma experiência pessoal do amor de Deus, que se revela na pessoa e na prática de Jesus.
Só conhece Deus por experiência pessoal – experimentada na carne.
Deus é afeto, carinho: Deus é amor; é a fonte do amor; é amor fontal.
A experiência do amor gratuito de Deus dá sentido a existência humana e provoca a pensar ou a repensar a ação.

A pessoa humana é habitada pelo desejo de entrar em comunhão com o sagrado e de ser possuída pelo mistério da Alteridade Divina(Outro-Deus).
No centro de uma vivência mística está não eu, mas o outro (Deus). O caminho vai sendo traçado por Deus, que é por mim experimentado, saboreado, amado. Provai e Vede quão bom é o Senhor (Salmo).

Deus afeta o humano e o faz reinventar  a relação a cada passo.
A relação com Deus é uma relação de gratuidade, de escuta, de afeto, de desejo.   A pessoa é seduzida por Deus, deseja Deus e é alterada pelo experiência do Divino. Cristificada, divinizada pelo Espírito Santo, faz Jesus acontecer de novo para os homens.
Santo é aquele que é conduzido por Deus. Que vive o primado de Deus em sua vida. É um apaixonado loucamente por Deus.     Deus vai tomando posse, progressivamente, daquilo que não é divinizado: num combate espiritual, as vezes doloroso.  Cristo vai tomando posse de mim.  
O que temos a dar ao mundo, como cristão,  é a prática apaixonada por Jesus e por sua vontade(sua obra salvífica, redentora da humanidade).
Deus não é um objeto de satisfação das nossas necessidades, mas é o amor que mobiliza e dilata o afeto humano; que dirige o humano para o ilimitado, o transcendente e o faz capaz de visitar Deus. 

A felicidade é a grande busca(desejo) de toda alma humana.  Segundo Sto Agostinho a verdadeira felicidade está na mais pura e plena Verdade e esta Verdade Deus, revelado no Filho Jesus. Portanto, a felicidade está em Cristo e, na comunhão na Trindade, obtida graças à uma vida cristã fervorosa: “por uma fé sólida, uma alegre esperança e uma ardente caridade”. Deus é o único Bem que nos pode assegurar Felicidade. Feliz é quem o possui.
    Hino de Santo Agostinho: Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais te amei.  Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora. ...Estavas comigo, mas eu não estava contigo...Tu me chamastes e teu grito rompeu a minha surdez. Fulguraste e brilhaste e tua luz afugentou a minha cegueira. Espargiste tua fragância e, respirando-a, suspirei por ti.  Eu te saboreei, e agora tenho fome e sede de Ti. Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo de tua paz.


POLÍTICA DE DEUS:  SALVAÇÃO DA HUMANIDADE
ECONOMIA DE DEUS: IGUALDADE/FRATERNIDADE

A história da salvação se faz pela transformação da realidade.
Pela ENCARNAÇÃO NA REALIDADE para transformá-la.

Somos enviados com Cristo a santificar o mundo; para tirar o pecado do mundo.

O fundamento da nossa ação evangelizadora encontra se na ação misericordiosa de Deus que interfere na realidade, em defesa dos pequeninos, para realizar JUSTIÇA:


“Eu vi a aflição do meu povo. Eu ouvi os seus clamores por causa de seus opressores. Eu conheço os seus sofrimentos. Vai, Eu te envio. Eu estarei contigo” (Ex 3, 7-10).

“Cegos recobram a vista. Coxos andam. Leprosos são curados e surdos ouvem. Mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres”
(Mt 11,5).

Deus é um dinamismo de amor salvador/libertador. Quem entra em comunhão com Deus, necessariamente deve engajar-se no seu dinamismo de amor e solidarizar-se no processo de salvação da humanidade.  Quem encontra(conhece, experimenta) Deus,   não permanece indiferente ao serviço da Justiça e do Direito do pobre (misericórdia e santidade de Deus).

A pessoa afetada pelo dinamismo amoroso de Deus-salvador de Deus se põe a caminho da serviço do povo de Deus e vai sendo ungida pela luz e vigor do Espírito a medida que se encarna no deserto cotidiano dos pobres, compreende suas dores e se solidariza com eles. 

A partir do grito dos pobres, Deus continua a chamá-la e a re-enviá-la ao submundo dos pobres para libertá-los (salvá-los) de seus sofrimentos. Deus nos convoca para servi-lo no grito, na dor dos que sofrem, dos que morrem.
Deus nos unge a medida em que nos doamos ao seu serviço.

A vocação cristã consiste numa disponibilidade continua da pessoa a Deus e as necessidades mais urgentes dos pobres de hoje, mediante as quais Deus nos chama e revela sua vontade, seu plano de amor.

Ser missionário é continuar, prosseguir a missão de Jesus, junto ao povo. Para isto precisamos viver em íntima comunhão com Deus junto ao povo.
Seguir a Jesus é um processo sempre renovado da ação do Espírito.

“Evangelizar para a  Igreja é fazer o que Jesus fez: por palavras e ações expressar o amor misericordioso para com todos, em especial os pequeninos, os pobres, os mais necessitados de nossa sociedade injusta e excludente” (DGAE Nº 68).
           
Evangelizar (construir a Boa Nova de Cristo) é responder as necessidades mais urgentes dos pobres, hoje, com o coração justo e misericordioso de Deus.

            Deus tem em si um dinamismo de amor libertador. Quem é tocado por Deus não pode permanecer indiferente ao serviço da SOLIDARIEDADE  e da JUSTIÇA.
           
Seguir Jesus exige: disponibilidade contínua à Deus e às necessidades mais urgentes dos pobres, mediante as quais Deus expressa sua vontade.

Vivemos numa sociedade com extrema miséria, morte precoce, extinção da vida. Isso nos exige com urgência,  anunciar Jesus Cristo com práticas de misericórdia.

A nossa comunhão com Deus passa pelo nosso compromisso de realização da justiça aos oprimidos: “Tive fome e me deste de comer...   Eras Tu, Senhor?” (Mt 25)

            A credibilidade da Igreja depende do nosso compromisso com os que sofrem.


“Quando Deus chama, deve o homem responder-lhe de tal modo que, sem mesmo atender à carne e ao sangue, se ligue de corpo e alma à obra do Evangelho.  Mas não pode dar essa resposta sem o estímulo e o robustecimento do Espírito Santo. Ao ser enviado, entra na vida e na missão daquele que se aniquilou a si mesmo, tomando a forma de servo.  Por isso deve estar  preparado a dedicar se à sua vocação, a renunciar a si e a tudo que até então considerou seu, e  a “fazer-se tudo para todos.” (AG 946).

“Anunciando o Evangelho entre os povos, com confiança torne conhecido o mistério de Cristo, em cujo nome exerce sua delegação...  Seguindo as pegadas do Mestre, revele a todos o coração apaixonado e misericordioso de Jesus  ”AG 947).

Nossa missão brota do grito dos pobres e deve responder aos seus maiores desafios. Isso exige análise econômica, política e social da realidade para ver causas dos problemas e executar uma ação eficaz.

“A mais profunda expressão da caridade consiste no compromisso político com a construção do Reino pela transformação da realidade”. (Frei Betto)