terça-feira, 25 de agosto de 2020

ESPIRITUALIDADE PARA OS VISITADORES

             A Igreja nasce da missão de Evangelizar: “Ide, portanto, e fazer que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos!” (Mt 28,19 e 20).


A Igreja é, por sua natureza, missionária. Ela nasce da missão do Filho e do Espírito Santo, segundo o desígnio de Deus Pai. Deus nos chama gratuitamente a participar da sua vida e da sua glória.

Evangelizar é missão de toda Igreja (de toda comunidade eclesial) e não apenas de grupos ou pessoas.

A marca do missionário é a sua profunda paixão por Jesus Cristo e pelo Projeto de Jesus Cristo.   Missionários são pessoas que experimentaram o amor de Jesus e assumiram a pessoa de Jesus, sua prática e seu projeto.


A graça de todas as pessoas é encontrar o Cristo Vivo.

Nossa missão é possibilitar com que toda pessoa: homem e mulher, faça uma experiência pessoal do amor de Deus, que se revela na pessoa e na prática de Jesus.
Só conhece Deus por experiência pessoal – experimentada na carne.
Deus é afeto, carinho: Deus é amor; é a fonte do amor; é amor fontal.
A experiência do amor gratuito de Deus dá sentido a existência humana e provoca a pensar ou a repensar a ação.

A pessoa humana é habitada pelo desejo de entrar em comunhão com o sagrado e de ser possuída pelo mistério da Alteridade Divina(Outro-Deus).
No centro de uma vivência mística está não eu, mas o outro (Deus). O caminho vai sendo traçado por Deus, que é por mim experimentado, saboreado, amado. Provai e Vede quão bom é o Senhor (Salmo).

Deus afeta o humano e o faz reinventar  a relação a cada passo.
A relação com Deus é uma relação de gratuidade, de escuta, de afeto, de desejo.   A pessoa é seduzida por Deus, deseja Deus e é alterada pelo experiência do Divino. Cristificada, divinizada pelo Espírito Santo, faz Jesus acontecer de novo para os homens.
Santo é aquele que é conduzido por Deus. Que vive o primado de Deus em sua vida. É um apaixonado loucamente por Deus.     Deus vai tomando posse, progressivamente, daquilo que não é divinizado: num combate espiritual, as vezes doloroso.  Cristo vai tomando posse de mim.  
O que temos a dar ao mundo, como cristão,  é a prática apaixonada por Jesus e por sua vontade(sua obra salvífica, redentora da humanidade).
Deus não é um objeto de satisfação das nossas necessidades, mas é o amor que mobiliza e dilata o afeto humano; que dirige o humano para o ilimitado, o transcendente e o faz capaz de visitar Deus. 

A felicidade é a grande busca(desejo) de toda alma humana.  Segundo Sto Agostinho a verdadeira felicidade está na mais pura e plena Verdade e esta Verdade Deus, revelado no Filho Jesus. Portanto, a felicidade está em Cristo e, na comunhão na Trindade, obtida graças à uma vida cristã fervorosa: “por uma fé sólida, uma alegre esperança e uma ardente caridade”. Deus é o único Bem que nos pode assegurar Felicidade. Feliz é quem o possui.
    Hino de Santo Agostinho: Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais te amei.  Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora. ...Estavas comigo, mas eu não estava contigo...Tu me chamastes e teu grito rompeu a minha surdez. Fulguraste e brilhaste e tua luz afugentou a minha cegueira. Espargiste tua fragância e, respirando-a, suspirei por ti.  Eu te saboreei, e agora tenho fome e sede de Ti. Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo de tua paz.


POLÍTICA DE DEUS:  SALVAÇÃO DA HUMANIDADE
ECONOMIA DE DEUS: IGUALDADE/FRATERNIDADE

A história da salvação se faz pela transformação da realidade.
Pela ENCARNAÇÃO NA REALIDADE para transformá-la.

Somos enviados com Cristo a santificar o mundo; para tirar o pecado do mundo.

O fundamento da nossa ação evangelizadora encontra se na ação misericordiosa de Deus que interfere na realidade, em defesa dos pequeninos, para realizar JUSTIÇA:


“Eu vi a aflição do meu povo. Eu ouvi os seus clamores por causa de seus opressores. Eu conheço os seus sofrimentos. Vai, Eu te envio. Eu estarei contigo” (Ex 3, 7-10).

“Cegos recobram a vista. Coxos andam. Leprosos são curados e surdos ouvem. Mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres”
(Mt 11,5).

Deus é um dinamismo de amor salvador/libertador. Quem entra em comunhão com Deus, necessariamente deve engajar-se no seu dinamismo de amor e solidarizar-se no processo de salvação da humanidade.  Quem encontra(conhece, experimenta) Deus,   não permanece indiferente ao serviço da Justiça e do Direito do pobre (misericórdia e santidade de Deus).

A pessoa afetada pelo dinamismo amoroso de Deus-salvador de Deus se põe a caminho da serviço do povo de Deus e vai sendo ungida pela luz e vigor do Espírito a medida que se encarna no deserto cotidiano dos pobres, compreende suas dores e se solidariza com eles. 

A partir do grito dos pobres, Deus continua a chamá-la e a re-enviá-la ao submundo dos pobres para libertá-los (salvá-los) de seus sofrimentos. Deus nos convoca para servi-lo no grito, na dor dos que sofrem, dos que morrem.
Deus nos unge a medida em que nos doamos ao seu serviço.

A vocação cristã consiste numa disponibilidade continua da pessoa a Deus e as necessidades mais urgentes dos pobres de hoje, mediante as quais Deus nos chama e revela sua vontade, seu plano de amor.

Ser missionário é continuar, prosseguir a missão de Jesus, junto ao povo. Para isto precisamos viver em íntima comunhão com Deus junto ao povo.
Seguir a Jesus é um processo sempre renovado da ação do Espírito.

“Evangelizar para a  Igreja é fazer o que Jesus fez: por palavras e ações expressar o amor misericordioso para com todos, em especial os pequeninos, os pobres, os mais necessitados de nossa sociedade injusta e excludente” (DGAE Nº 68).
           
Evangelizar (construir a Boa Nova de Cristo) é responder as necessidades mais urgentes dos pobres, hoje, com o coração justo e misericordioso de Deus.

            Deus tem em si um dinamismo de amor libertador. Quem é tocado por Deus não pode permanecer indiferente ao serviço da SOLIDARIEDADE  e da JUSTIÇA.
           
Seguir Jesus exige: disponibilidade contínua à Deus e às necessidades mais urgentes dos pobres, mediante as quais Deus expressa sua vontade.

Vivemos numa sociedade com extrema miséria, morte precoce, extinção da vida. Isso nos exige com urgência,  anunciar Jesus Cristo com práticas de misericórdia.

A nossa comunhão com Deus passa pelo nosso compromisso de realização da justiça aos oprimidos: “Tive fome e me deste de comer...   Eras Tu, Senhor?” (Mt 25)

            A credibilidade da Igreja depende do nosso compromisso com os que sofrem.


“Quando Deus chama, deve o homem responder-lhe de tal modo que, sem mesmo atender à carne e ao sangue, se ligue de corpo e alma à obra do Evangelho.  Mas não pode dar essa resposta sem o estímulo e o robustecimento do Espírito Santo. Ao ser enviado, entra na vida e na missão daquele que se aniquilou a si mesmo, tomando a forma de servo.  Por isso deve estar  preparado a dedicar se à sua vocação, a renunciar a si e a tudo que até então considerou seu, e  a “fazer-se tudo para todos.” (AG 946).

“Anunciando o Evangelho entre os povos, com confiança torne conhecido o mistério de Cristo, em cujo nome exerce sua delegação...  Seguindo as pegadas do Mestre, revele a todos o coração apaixonado e misericordioso de Jesus  ”AG 947).

Nossa missão brota do grito dos pobres e deve responder aos seus maiores desafios. Isso exige análise econômica, política e social da realidade para ver causas dos problemas e executar uma ação eficaz.

“A mais profunda expressão da caridade consiste no compromisso político com a construção do Reino pela transformação da realidade”. (Frei Betto)

quinta-feira, 2 de julho de 2020

sexta-feira, 22 de maio de 2020

REDE DE SOLIDARIEDADE PELA VIDA EM DEFESA DOS EXCLUÍDOS


REDE DE SOLIDARIEDADE PELA VIDA EM DEFESA DOS EXCLUÍDOS
FORMAÇÃO, INFORMAÇÃO, TROCA DE EXPERIÊNCIAS, ORGANIZAÇÃO, MISSÃO.

“Vinde a mim vós todos que estais cansados sob o peso do vosso fardo
e eu vos darei descanso" (Mt 11,28).


1.     JUSTIFICATIVA  - POR QUE ORGANIZAR UMA REDE DE SOLIDARIEDADE?

A lógica da economia neoliberal é de concentração e exclusão. Desta economia excludente deriva: empobrecimento, desemprego, narcotráfico, dependência química, criminalidade, violência infanto juvenil, violência doméstica, desestruturação familiar, população de rua, desumanização do ser humano.

Existem muitas comunidades com diversas tipos de carências e desafios, sem nenhuma resposta.

O cristão não pode permanecer indiferente aquele que sofre, pois a razão do “ser cristão” é o compromisso com o pobre. 


Por outro lado existem:
  • Pessoas querendo respostas para as carências da comunidade e não sabe o que e como fazer;
  • Pessoas trabalhando sozinhas e se sentindo incapazes de responder aos desafios que se apresentam;
  • Entidades, grupos e ações sociais que não atingem satisfatoriamente seus objetivos;
  • As políticas públicas e os serviços estão desarticuladas gerando uma prática social fragmentada;
A Rede de Solidariedade deve responder a necessidades locais pela integração de recursos humanos e materiais, empoderando as pessoas, resgatando a dignidade, construindo a cidadania, promovendo a vida.

Precisamos pensar e agir de uma forma mais ampla. Precisamos ter uma ação local com visão global. 
Sem tirar o específico dos grupos e entidades, precisamos acompanhar as reflexões que as entidades, conselhos e fóruns estão fazendo a nível local, regional, estadual e nacional, em vista da conquista e garantia de direitos para os excluídos da sociedade.

A Rede deve ajudar a integrar, potencializar e multiplicar os serviços a fim de atender as necessidades das comunidades. O Fórum da Rede se constitui no espaço de aprofundamento e de intercâmbio das práticas.    É uma metodologia para fazer a multiplicação dos trabalhos sem multiplicar os encontros. 

A comunicação e o “fórum” serão estratégias básicas da nossa ação.

VANTAGENS DE SE ORGANIZAR EM REDE:
  1. Animar e fortalecer a dimensão sócio transformadora da Igreja e da Sociedade;
  2. Articular, integrar, fortalecer e multiplicar ações em defesa da vida junto a grupos e comunidades carentes;
  3. Buscar informações, experiências e parcerias para atender as necessidades das comunidades;
  4. Integrar e articular as práticas comunitárias com as políticas públicas a nível municipal, estadual e federal;
  5. Integrar as carências com os recursos existentes (eclesiais, públicos ou sociais) e com as políticas públicas;
  6. Capacitação conjunta dos agentes comunitários;
  7. Avaliar e fortalecer o papel das entidades;
  8. Multiplicar alternativas de autodesenvolvimento;
  9. Espaço de debate para aprofundamento, revisão e fortalecimento das ações.
  10. Elaboração de ações conjuntas para enfrentar desafios;
  11. Ser presença evangélica junto: aos pobres – solidariedade; à Igreja – acordar; à sociedade – testemunhar os valores do Reino; aos poderes públicos – pressionar.
  12. Contribuir para a organização e mobilização das comunidades carentes na reivindicação de seus direitos;
  13. Fortalecer o compromisso social dos cristãos;
  14. Compreensão dos desafios e das novas exigências para a eficácia da ação, hoje. Rever e redimensionar a nossa prática visando ampliar o exercício da cidadania e o resgate de direitos;
  15. Ter um espaço comum de debate, de formação, de formulação de políticas de intervenção social, a partir dos excluídos;
  16. Conectar as práticas e reformular as estratégias de intervenção na sociedade;
  17. Despertar as comunidades empobrecidas para a preservação e o resgate da vida, através de um processo de organizações que supere as necessidades, passo a passo, numa dialética: Ação + Reflexão + Ação.

       AÇÕES QUE PODEM SER DESENVOLVIDAS PELA REDE:   
  1. Formar uma rede de lideranças, entidades, grupos, movimentos e pastorais para troca de experiências, integração, formação e multiplicação dos serviços a fim de atender as necessidades do povo nas bases;
  2. Multiplicar as lideranças e os trabalhos nas bases;
  3. Estudar os documentos: Conferência de Aparecida; Diretrizes da CNBB; Alegria do Evangelho; Laudato Si e Diretrizes Gerais da CNBB 1995-1998 (a participação na sociedade pelo bem dos pobres como conseqüência da Missão);
  4. Mobilizar e orientar grupos e comunidades para participação nos Conselhos Municipais, na Câmara Legislativa, nos colegiados escolares;
  5. Articular os trabalhos sociais com as políticas públicas visando garantir a eficácia na conquista de direitos;
  6. Promover a formação político-econômico-bíblico-pastoral e teológica para a missão hoje, através de seminários, estudos em grupos, indicações bibliográfica, sites, subsídios;
  7. Desenvolver uma mística bíblico-libertadora para o compromisso sócio transformador das comunidades;
  8. Promover a formação de lideranças visando responder, de modo mais eficaz, aos desafios da realidade;
  9. Elaborar subsídios visando dar suporte as pastorais e serviços comunitários;
  10. Ver o que existe de desafios, ver o que existe de respostas e canalizar recursos com carências.
  11. Priorizar comunidades e grupos em alta vulnerabilidade para ações de intervenção social;
  12. Assumir o Mundo do Trabalho como prioridade pastoral e como eixo condutor de todas as ações pastorais e político-sociais;
  13. Ter uma equipe executiva para refletir, animar e encaminhar os trabalhos;
  14. Organizar uma Central Missionária para atuar junto aos desafios sociais;
  15. Apoiar pessoas que queiram atuar junto a grupos ou comunidades em situação de vulnerabilidade social;
  16. Acompanhamento à comunidades com alta vulnerabilidade social para descoberta de lideranças e implementação de ações locais;
  17. Organizar um grupo de Estudos Sócio Político em parcerias com as universidades e entidades afins para ajudar nos diagnósticos e implantações de projetos e pastorais sociais;
  18. Assessoria técnica e jurídica na elaboração, monitoramento e avaliação de projetos sociais.
  19. Coordenação de Fóruns, seminários e eventos de integração e capacitação para os serviços sociais;
  20. Manter um blog atualizado com divulgação dos serviços públicos, eclesiais e sociais, troca de experiências, ofertas de formação (bíblica, teológica, pastoral, missionária);
  21. Promover seminários, semana social brasileira, feiras ou encontros das pastorais sociais para integração, fortalecimento e multiplicação dos trabalhos nas bases;
  22. Captação de recursos e criação de um fundo social para subsidiar a formação de agentes, participação em cursos/congressos, implantação de pastorais e serviços sociais, considerando o acúmulo de experiências de outros municípios e Estados;
  23. Elaborar o MAPA DA Exclusão e da Solidariedade;
  24. Elaboração e manutenção atualizada do Banco de Dados das atividades político-sociais
  25. Ser presença evangélica na sociedade:

  • Junto aos pobres - Solidariedade
  • Junto a Igreja - Acordar;
  • Junto aos poderes públicos - Pressionar.

FORMAÇÃO
  1.  Fundamentação político-econômico-social-Bíblico-teológico-pastoral.
  2. O Projeto Bíblico e o Projeto de Jesus Cristo;
  3. Análise de estrutura e conjuntura;
  4. Políticas Públicas e organizações sociais;
  5. Perspectivas e Metodologia popular;
  6. Mística contemplativa e libertadora.

DIAGNÓSTICO  E FORMAÇÃO PASTORAL


  1. Mapear a realidade econômica, social, política e ideológica da região (área geográfica, população, infraestrutura, ruas, iluminação, água, asfalto, saneamento básico, empregos, escolas, cursos técnicos, universidades);
  2. Mapear todas as forças ideológicas da região (Igrejas, escolas, lideranças, entidades, grupos sociais);
  3. Mapear todos os recursos humanos e materiais existentes;
  4. Mapear todos os problemas sociais das comunidades/região;
  5. Analisar as causas dos problemas sociais, buscar parcerias e elaborar estratégias de intervenção social.
  6. Desenvolver uma mística e metodologia libertadora;
  7. Promover adequada capacitação de agentes visando garantir a eficácia em ações sócio transformadoras.

METODOLOGIA:
VER – ANALISAR- APONTAR SAÍDAS – ARTICULAR-SE - AGIR EM REDE.

  1. Partir dos problemas: fazer um levantamento profundo da realidade com ajuda da comunidade e de profissionais.
  2. Buscar as causas: aprofundar, com a ajuda de profissionais, as causas que geram tais problemas
  3. Capacitação conjunta dos agentes comunitários;
  4. Avaliar e fortalecer o papel das entidades;
  5. Multiplicar alternativas de autodesenvolvimento;
  6. Espaço de debate para aprofundamento, revisão e fortalecimento das ações.
  7. Elaboração de ações conjuntas para enfrentar desafios;
  8. Ser presença evangélica junto: aos pobres – solidariedade; à Igreja – acordar; à sociedade – testemunhar os valores do Reino; aos poderes públicos – pressionar.
  9. Contribuir para a organização e mobilização das comunidades carentes na reivindicação de seus direitos;
  10. Fortalecer o compromisso social dos cristãos;
  11. Compreensão dos desafios e das novas exigências para a eficácia da ação, hoje. Rever e redimensionar a nossa prática visando ampliar o exercício da cidadania e o resgate de direitos;
  12. Ter um espaço comum de debate, de formação, de formulação de políticas de intervenção social, a partir dos excluídos;
  13. Conectar as práticas e reformular as estratégias de intervenção na sociedade;
  14. Despertar as comunidades empobrecidas para a preservação e o resgate da vida, através de um processo de organizações que supere as necessidades, passo a passo, numa dialética: Ação + Reflexão + Ação.
  15. Apontar saídas para erradicar as causas dos problemas: desqualificação profissional, desemprego,  falta de moradia,   falta de saúde, falta de políticas públicas nas periferias, fome,  abandono da terceira idade, população de rua, alienação política e outros
  16. Incentivas e apoiar movimentos de  Geração de Trabalho e Renda, Movimento da Moradia; Universidade Mútua, Fé e Cidadania; Conselhos Populares; Pastoral / Movimento da Terceira Idade; Leitura Popular da Bíblia – CEBI; Segurança Alimentar; Movimento pela ética na política. 
  17. Articular-se com pastorais, movimentos, ONGs em nível local, micro-regional, regional, nacional, continental e mundial.
  18. Agir em REDE a fim de potencializar e garantir a eficácia da ação.

CENTRO DE APOIO AO TRABALHADOR

  1. Lugar de acolhimento;
  2. Cadastramento por área de cursos;
  3. Encaminhamento para os cursos que já existem;
  4. Buscar os cursos que faltam: pedreiro, marceneiro, carpinteiro, langerie, costura, cozinha.
  5. Buscar entidades para financiar projetos.
  6. Mapear as entidades profissionalizantes com suas respectivas infra-estruturas;
  7. Chamar as empresas para apoiar projetos profissionalizantes.
  8. Trabalhar em conjunto com as iniciativas de apoio ao trabalhador
  9. Fazer um Banco de Dados de todas as entidades profissionalizantes e dos cursos administrados por cada uma delas (SENAI, SENAC, SESI, SENAR, Fundação Nhazinha Cintra, CEPRO HUMANO, Casa de Guadalupe, Alan Kardec, AMMA, GRAMA, AAAP, Ação Benedito e outros).
  10. Ver cursos dados pela SEDESE


PROPOSTAS DOS FÓRUNS 
DE ECONOMIA POPULAR SOLIDÁRIA – ITAJUBÁ E REGIÃO

  1. Fazer um diagnóstico das possibilidades de nossa região, identificando as fontes de geração de renda;
  2. Promover a articulação das entidades, ONGs, cooperativas populares e grupos empreendedores já existentes;
  3. Investir na criação de associações e cooperativas populares de produtos e serviços urbanos e rurais;
  4. Investir na agricultura e produção familiar com marca própria para comercialização;
  5. Apoiar as feiras livres de economia solidária;
  6. Promover a multiplicação dos Fóruns de solidariedade e ação política;
  7. Promover parcerias com as universidades e poderes públicos;
  8. Capacitação profissional (recursos humanos, materiais, financeiros);
  9. Investir em grupos de Geração de Renda com Economia Solidária;
  10. Investir em cooperativas; Empreendedorismo; Cooperativismo;
  11. Produção + Industrialização + Comercialização;
  12. Rede de apoios;
  13. Rede de Compradores;
  14. Rede de Comercialização;
  15. Feiras;
  16. Marcas que aglutinam diversos produtos e serviços;
  17. Implantar um núcleo de trabalho, na nossa região, com a filosofia, a metodologia e a espiritualidade da Cáritas.



AÇÕES PARA GARANTIA DE 
SEGURANÇA ALIMENTAR

O QUE PODEMOS FAZER PARA GARANTIR UMA SEGURANÇA ALIMENTAR NUTRICIONAL SUSTENTÁVEL EM NOSSA REGIÃO:


  1. Desenvolver hortas comunitárias nos bairros, dando preferência para as comunidades mais carentes,
  2. Implantar hortas comunitárias nas escolas e promover a educação alimentar das crianças e jovens;
  3. Ter criatividade e diversificação na produção e consumo dos alimentos;
  4. Trabalhar em parcerias: comunidades, entidades e órgãos públicos;
  5. Promover um seminário específico sobre agricultura urbana com apoio do poder público municipal;
  6. Promover cursos sobre aproveitamento de alimentos;
  7. Capacitar lideranças, associações, entidades e comunidades sobre as leis e os programas de Segurança Alimentar, Nutricional sustentável;
  8. Criar programas de segurança alimentar em parcerias com entidades afins e com os órgãos públicos;
  9. Criar o Conselho Municipal de Segurança Alimentar Nutricional Sustentável articulando as diversas iniciativas da Sociedade Civil com o poder público local para a construção de ações e políticas públicas em SANS.
  10. Buscar a isenção do IPTU para proprietários de terrenos com hortas comunitárias implantadas;
  11. Organizar um Centro de Referência Alimentar na região com valorização dos produtos orgânicos;
  12. Garantir a Segurança Alimentar Nutricional Sustentável á população em situação de vulnerabilidade;
  13. Elaborar Projetos para desenvolver a Segurança Alimentar;
  14. Promover a educação das comunidades para uma alimentação adequada e sustentável, valorizando a produção e o consumo dos produtos orgânicos.


NATUREZA DA REDE
           
A Rede é cristã, ecumênica, suprapartidária, sem fins lucrativos e tem por objetivo promover a articulação dos movimentos e pastorais comprometidos com os mais excluídos de nossa sociedade visando o empoderamento, o protagonismo, o exercício da cidadania e o resgate  da dignidade humana.

DINÂMICA DA REDE:

  1. Animar, convocar, capacitar, integrar, multiplicar e potencializar;
  2. Fóruns, feiras, Banco de Dados, Rede On-line, contatos pessoais.
  3. Convergência – interação - irradiação
  4. Autonomia, interdependência, pontos comuns.


Participantes: Entidades civis, Igrejas, sindicatos, partidos, associações de bairro, secretarias públicas, conselhos, movimentos populares etc.

Público alvo: Obras paroquiais,  equipes pastorais, lideranças cristãs, lideranças de grupos populares, associações de bairros, sindicatos, secretarias públicas, partidos etc.

Bandeiras: Organização para o trabalho; a organização dos trabalhadores; terra, saúde, formação bíblica, formação política, organização da juventude, terceira idade etc.


MÍSTICA DA REDE

Manter a mobilização. Construir a solidariedade. Manter viva e ativa a esperança na vida e na luta. Desenvolver uma criatividade surpreendente. Apostar no coletivo. Unir todas as forças e romper com a visão fragmentada da realidade. Buscar e acreditar nas razões de nossa esperança. Reforçar a nossa mística. Aprofundar o nosso relacionamento. Co-sentir com o povo. Saber o que o povo passa de fato. Estamos com o povo mais não sentimos o que o povo sente, passa. Ter compreensão humana, solidária para resgatar os companheiros na luta. Muitos se cansam e param. É preciso solidariedade entre as pessoas e aprofundamento da nossa mística.

Despertar as comunidades empobrecidas para a preservação e o resgate da vida através de um processo de organização que supere as necessidades, passo a passo, numa dialética: ação – reflexão – ação.

O único caminho é o da convivência com as comunidades ou categorias empobrecidas, ajudando para que o povo supere a ideologia do auto desprezo, resgate a autoestima, se aproprie dos seus saberes e fazeres e se assumam como sujeito da história.

Quem elabora um projeto constrói esperanças. Quem coordena projetos, soluciona problemas. A comunidade deve participar na elaboração do projeto. Isto ajuda ela acordar-se. O projeto é a nível de execução.



Ser uma presença profética na sociedade. Os profetas são homens e mulheres que se colocam junto ao povo para denunciar as injustiças, anunciar o Projeto de Deus e transformar a realidade. Em cada tempo e lugar Deus suscita profetas para que, em seu nome, tornem presente o seu amor e defendam a vida dos mais fracos. É preciso recobrarmos o vigor do Espírito e construirmos com os empobrecidos de nossa história, a hora da braça: um novo kairós.


"Tive fome e me deste de comer.
tive sede e me deste de beber."
(Mt 25,35)

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

O EVANGELHO DAS BEM AVENTURANÇAS - Mt 5,1-12

1.     Felizes os pobres em espírito porque deles é o Reino dos céus.
2.     Felizes os aflitos porque serão consolados.
3.     Felizes os mansos porque possuirão a terra.
4.     Felizes os que têm fome e sede de justiça porque serão saciados.
5.     Felizes os que são misericordiosos porque encontrarão misericórdia.
6.     Felizes os puros de coração porque verão a Deus.
7.     Felizes os que promovem a paz porque serão chamados filhos de Deus.
8.     Felizes os que são perseguidos por causa da justiça porque deles é o Reino de céus.
9.     Felizes vocês quando forem perseguidos por causa de mim.  Grande será a vossa recompensa no céu. Do mesmo modo perseguiram os profetas que vieram antes de vocês.

Para onde irei? Para onde Jesus iria.  Para a ovelha mais sofrida, para os irmãos mais doentes, para os mais abandonados, para os mais cegos, para os mais perdidos.

As bem aventuranças resumem a vida de Jesus de Nazaré. O modelo de uma vida bem aventurada é o próprio Jesus Cristo. O Evangelho das bem-aventuranças é um projeto de vida missionaria em vista do Reino.  

É feliz quem consegue pautar a sua vida conforme os critérios de Jesus de Nazaré. Seguir a Jesus no caminho das bem aventuranças é seguir o caminho do amor libertador, da misericórdia e da justiça.

As bem aventuranças são o anúncio de libertação e felicidade e não de conformismo e alienação. Elas anunciam a vinda do Reino através da prática de Jesus. A prática de Jesus torna a justiça de Deus presente no mundo.  Justiça para aqueles que são inúteis ou incômodos para a sociedade. Sociedade esta baseada na riqueza que explora o povo e no poder que os oprime.

Os que buscam a justiça do Reino são os pobres da terra.  Rejeitados pela sociedade estes pobres dependem da misericórdia de Deus.

A palavra bem-aventurado em hebraico significa assumir um caminho, tomar um rumo na vida.  Pessoas bem aventuradas põem seus pés nos passos de Jesus, rumo ao Reinado de Deus que é a fraternidade universal. 

O pecado deste mundo nega esperança aos pobres. Hoje, há mais riqueza na terra, no entanto há mais injustiça. Na África muitos sobrevivem com nada e muitos morrem de fome.  Aos imigrantes nega se o chão e a hospitalidade. Guerras, crianças órfãs, população em situação de risco, violências de diversas formas, extermínio da juventude negra, Juventude aliciada ao tráfico; desempregados, sem terra e sem teto, população de rua, idosos abandonados e maltratados, fome, miséria, violência contra a mulher, feminicídio, morte precoce, são marcas do pecado social e estrutural em nossa sociedade.

Diante do clamor dos aflitos, Deus nos convoca para as bem-aventuranças. Para colocarmos a nossa vida em favor dos mais necessitados. Para transformarmos a dor e a morte em libertação e vida.

Nossas opções precisam ser elaboradas com clareza, firmeza e teimosia para que possamos ajudar na construção de um mundo mais justo, fraterno e igualitário para os pobres e com os pobres. 

Não devemos ter medo de olhar de frente as exigências de Jesus para a construção do Reinado de Deus.  

A espiritualidade das bem aventuranças é a espiritualidade da prática libertadora de Jesus.

Somos bem aventurados quando assumimos a construção do Reino de Deus: Reino de igualdade, compreensão, misericórdia, amizade, afeto.




quarta-feira, 3 de outubro de 2018

“O QUE DEUS UNIU O HOMEM NÃO SEPARE” - 27º Domingo TC

Na Primeira Leitura, Gn 2, 18-24,  vemos o  matrimônio como símbolo de que  Deus criou o ser humano (homem e mulher) para a igualdade de condições e para a  comunhão fraterna.
O Homem e a Mulher são criaturas de Deus com igual dignidade.  Ambos vem do pó e tem em si o sopro divino da vida.  O importante não é o ter, o poder, mas a capacidade de amar, de relacionar-se.
O matrimônio simboliza também a união íntima entre Cristo e a Igreja.  Se Cristo tem amor predileto pelos pobres e pela causa dos pobres, e, por causa dos pobres tem zelo pela justiça, a fidelidade a Cristo, como Mestre e Senhor passa pela misericórdia com os pobres e pela construção da justiça social, para concretizar a verdadeira caridade.

No AT só o homem podia dar o documento de divórcio à mulher.  Os fariseus e doutores da lei estão querendo legitimar a discriminação da mulher como parte integrante do projeto de Deus.  Na legislação romana também a mulher tem o direito de tomar a iniciativa e pedir o divórcio.

No Evangelho de Mc 10, 2-16:  Jesus vai colocar o matrimônio na lógica do projeto de Deus.  Quem se divorcia de sua mulher  e casa com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher se divorcia de seu marido e casa com outro, comete adultério (Mc 10, 11-12). Jesus põe Homem e Mulher em igual condições e os torna para sempre um responsável pelo outro.

Em Mc 10,13-16 Jesus faz opção pelos pobres. Terminada a catequese sobre o matrimônio, Marcos insere uma cena na qual são apresentadas crianças a Jesus para que Ele as tocasse. O texto quer mostrar o que a Comunidade deve fazer com os pobres.  As crianças, por serem indefesas, sem ter poder de decisão, representam todos os empobrecidos e marginalizados da sociedade.

Os discípulos procuram afastar as crianças de Jesus. Eles acham que os pobres não devem incomodar o mestre.  Jesus se irrita com os discípulos e garante que o Reino de Deus é dos pobres. 

Na segunda leitura,  Hb 2, 9-11,    Os destinatários do texto são um grupo de cristãos querendo abandonar a fé em Jesus. Supõe se que são cristãos convertidos da comunidade cristã de  Roma.
·  Eles sentem a dificuldade em aceitar a forma humilhante e dolorosa da vida de Jesus (Hb 2);
·  Estão sendo perseguidos por serem cristãos;
·  Estão desiludidos por não verem realizada a salvação final;
· Tem forte influência do AT.

O Projeto de Deus é conduzir a humanidade à vida Plena, pela mediação de seu Filho Jesus. Jesus se torna irmão solidário dos homens e assume totalmente os problemas dos pobres até a morte na cruz.  A humanidade encontra em Jesus um semelhante seu, capaz de ser sua garantia junto a Deus, como verdadeiro sacerdote. Doravante, Jesus é o único mediador entre Deus e os homens. Ele é o único santuário e sacerdote, fiel à Deus e solidário com os homens.   E o sacrifício de Jesus, de agora em diante, é o único agradável a Deus.  Este texto é importante no quadro geral do novo testamento: Apresenta Jesus como aquele que supera a Instituição Cultural do Antigo Testamento. 

Os cristãos são convidados a superar o escândalo da paixão e morte de Jesus e caminhar com o Ressuscitado, dando continuidade ao Projeto iniciado por Jesus.


Pe José Bortolini
In Roteiros Homiléticos,  Ano B,   27º Domingo.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

ANTROPOLOGIA DA VOCAÇÃO CRISTÃ

Ver a aflição do povo é o aspecto específico da vocação cristã.
“Eu vi a aflição do meu povo...” (Ex 3,7-10).

Muitas pessoas se engajam na construção de uma nova sociedade tendo como horizonte e parâmetros valores ético-humanos como a justiça, a fraternidade, a paz, as condições básicas para uma humana digna, os direitos humanos, a ecologia.  Embora essas pessoas com suas lutas e movimentos se determinem explicitamente a partir de valores humanos, elas são, implicitamente iluminadas, inspiradas e fortalecidas pelo Deus que ama e salva.

Outras pessoas com o seu deus cujo nome defere do nosso Deus e em nome de suas outras religiões ou culturas, também se asseguram no bem, na esperança, na resistência ao inimigo e na defesa da vida contribuindo assim, para assegurar e, ou, construir a fraternidade entre as pessoas. 

De muitas mediações se serve o Deus do Reino para oferecer suas graças à humanidade. Com suas diferentes práticas e credos, muitos grupos e povos contribuem para a implantação do Reino de Deus entre os homens, participando implicitamente da missão do Espírito, através das mediações de seu contexto histórico–social e de seu engajamento em favor da vida e da nova sociedade.

A prática que traz o reino não se reduz aos cristãos e à Igreja, mas o reino vem através de todos aqueles que lutam pela liberdade e dignidade dos homens; a Igreja não detém o monopólio do Espírito de Deus. Tampouco Ele é privilégio dos cristãos. Deus usa também os partidos políticos organizados em função do bem comum, os movimentos populares, os grupos organizados que reivindicam os direitos aos homens e realizam a justiça na história. Em Is 45, Ciro, rei do Império Persa é considerado como o ungido e enviado de Deus para a libertação dos oprimidos.

Deus se serve de todos os movimentos de justiça, de fraternidade e de humanidade para instaurar o seu reino. Deus já está nas organizações sociais e de libertação antes de comprometermo-nos nelas.

Os cristãos e a Igreja não detêm os processos libertários, mas esses pertencem a Deus e a seus filhos.

Com os objetivos de preservar a vida do povo e transformar as relações sociais em vista de uma sociedade humana e igualitária, muita gente: negros, índios, cristãos e não cristãos, sustentaram uma luta até as últimas conseqüências. Foram perseguidos, torturados e mortos. Tornaram-se mártires e heróis do povo e o seu sangue continua fermentando a nossa história de libertação.  A vida de tantos agentes comunitários como a de tantos anônimos que morreram em defesa da vida, é mobilizadora de consciências.

A prática de fé, de libertação e o martírio de uma multidão de pessoas na América Latina (jovens, camponeses, estudantes, operários, religiosos, sacerdotes e alguns bispos) que enfrentaram e resistiram aos opressores, nos questiona e nos impele a encarnar na história nossa resposta aos clamores dos pobres. Os testemunhos dos mártires e heróis na América Latina reforçam a nossa vocação.

A herança dos mártires e heróis nos convoca à fidelidade, ao seguimento radical e à entrega total,8 até que a fraternidade de Deus torne realidade para todos os povos da terra.”

Diante de uma sociedade injusta, diante da opulência de alguns e da miséria dos povos empobrecidos; a partir de nossa fé no Deus-Bíblico-Libertador; a partir do testemunho dos profetas bíblicos, dos nossos mártires, dos heróis do povo e da multidão de anônimos que resistiram até a morte contra a dominação dos opressores, o cristão não pode furtar-se à sua vocação. Pelo seguimento radical do Cristo, que morreu por uma causa revolucionária, o cristão está implicado na luta de libertação do pecado que está institucionalizado nas estruturas sócio-econômico-político-social e cultural.

Os cristãos têm a responsabilidade primeira de denunciar profeticamente as causas das injustiças sociais. A militância  dos cristãos nos processos de libertação constitui um autêntico testemunho da força do Evangelho

Quanto mais nos aprofundarmos na interpretação da Palavra segundo a ótica dos pobres e na experiência do Deus vivo e libertador, mais fecundo vai ser o fruto político do nosso compromisso: a Boa Nova para os pobres.

 “Oxalá chegue esse dia, que ele esteja chegando e a gente o faça chegar.”