sábado, 19 de dezembro de 2015

FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA DA NOSSA AÇÃO PASTORAL

Encontramos o fundamento da nossa ação pastoral e da cidadania na ação criadora e misericordiosa de Deus que interfere na história, em defesa dos pequenos, para realizar justiça:

“Eu vi a aflição do meu povo. Eu ouvi os seus clamores.
Eu conheço os seus sentimentos.
Vai, eu te envio. Eu, estarei contigo”.
                                                             (Ex 3, 7-10)

Deus revela, Deus envia, Deus liberta. Deus promove. O nosso Deus deu-se a conhecer, revelou-se para uma experiência de libertação.  Através das organizações, lutas e conquistas o povo de Israel foi desenvolvendo a sua fé num Deus Vivo, Libertador, comprometido com a Justiça.

Êxodo: a experiência de libertação do Êxodo é a experiência fundante da nossa fé. A partir do Êxodo o compromisso com a Justiça é o eixo condutor da ação de Deus que interfere na história em defesa dos pequenos. O compromisso com a justiça, eixo de toda a Bíblia, é a base da nossa ação pastoral.

Profetas: A Justiça e a libertação foi o objetivo da luta dos profetas. Os profetas conheciam bem a realidade, enxergavam as raízes, as causas da opressão e viam por onde passava o caminho da justiça. Os profetas são sensíveis às dores dos pobres, apontam as saídas e articulam os pobres na busca da vida.

Maria: em seu cântico, resume o anseio histórico dos pobres e celebra uma transposição de Justiça que Deus realizará na história:

“Depôs do trono os poderosos e exaltou os humildes”.
Encheu de bens os famintos e despediu ricos em nada.” (Lc1, 51-52).

JESUS: dá continuidade á dinâmica da justiça e da libertação presente no Êxodo e nos Profetas. Ele condena as injustiças sociais e se solidariza com os pobres numa prática que inaugura o Reino de Deus.

“O Espírito de Deus está sobre mim. Ele me ungiu para anunciar a Boa Notícia aos pobres, para proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista. Para restituir a liberdade aos cativos e proclamar o ano da graça”. (Lc 4,18-19)
(projeto da vida de Jesus)

“Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo:
 “Os cegos recuperam a vista; os coxos andam; leprosos são curados, surdos ouvem, os mortos resuscitam e a Boa Notícia é anunciada aos pobres.” (Mt 11,4-6).
(chave para avaliação do nosso agir: estamos no caminho certo?
Devemos prosseguir ou rever a eficácia da nossa prática.).

“Tive fome e me deste de comer. Tive sede e me deste de beber.
 Era migrante e você me acolheu. Estive nu e me vestiste. Estive doente e me cuidaste.
Estive preso e veste me ver.” (Mt 25, 35-36).
(a chave do agir cristão é a solidariedade com os que sofrem.
A credibilidade da nossa fé depende da nossa solidariedade).

 

Jesus propõe uma nova sociedade: uma sociedade de justiça e de fraternidade, com novas relações sociais, econômicas e políticas.

Na dimensão social: os excluídos recobram a dignidade. São critérios para a construção da justiça, da fraternidade e critérios de avaliação da existência humana. Tornam-se juízes da história. Seremos julgados no rosto e na dor dos pobres.

A dimensão econômica: se baseia na partilha, na igualdade: Ela exige a nossa participação na construção de uma sociedade justa, igualitária, inclusiva, para que possa haver comunhão. (At 2;42;  Mc 6,35-44).

Na dimensão política: autoridade é aquela que mais e melhor serve.
JO 13,14-16: Jesus lava os pés dos discípulos  para nos ensinar a servir.
JO 15,12-13: O grande mandamento do amor, a chave do cristianismo.
Mc 10, 32-45: Autoridade é serviço. Quem quiser ser o maior, seja o servo de todos.

Seguir a Cristo, ser cristão, é dar prosseguimento ao seu projeto de construção do Reino de Deus. É a construção do Reino de Deus que justifica o “ser Cristão”.

A construção do Reino de Deus passa pela transformação desta  nossa sociedade. Para isso temos  que desvendar os mecanismos de opressão, pecado  e morte e  assumir, com os empobrecidos, um processo de luta pela  vida, pela dignidade humana, pela justiça.

O Espírito nos convoca no grito, na dor dos necessitados. Novos problemas sociais têm sua origem na modernização da sociedade. A economia vem produzindo cada vez mais com menos trabalhadores. Temos uma multidão de trabalhadores desempregados. A cada ano centenas de jovens chegam ao mercado de trabalho sem nenhuma perspectiva. Boa parte da população ativa dos pais está fora do mercado formal de trabalho. O desemprego é o nosso maior problema social. A isso soma se: subemprego, violência, criminalidade,  fome, prostituição, alcoolismo, tráfico e dependência das drogas, falta de moradia na cidade  e de terra para o trabalho, alienação social e política, falta de dignidade humana e de cidadania.

Como ser fiel à convocação do Espírito? O objetivo da nossa ação deve ser:
  • Ouvir os clamores mais urgentes da população oprimida e marginalizada.
  • Responder a esses clamores (problemas) numa perspectiva de construção da justiça social e do Reino de Deus. 

 Para isso precisamos: 
  • Fazer um diagnóstico da realidade para ver os problemas maiores que aflige o povo;
  • Fazer uma análise social, econômica e política da realidade para ver: quais as causas que estão gerando os problemas? Quais as conseqüências destes problemas?
  • Priorizar o que é mais urgente; O que solucionar primeiro;
  • Buscar as experiências afins que já existem e que estão dando certo?
  • Fazer uma proposta de solução com metas claras e estratégias que garantam a eficácia da proposta. Temos que atacar as causas que geram o sofrimento e a exclusão e não ficarmos apenas nos efeitos;
  • Ter uma visão de conjunto: ação local com visão global
  • Manter a dimensão missionária: do centro para a periferia – em busca das áreas mais carentes e dos maiores desafios.
  • Qualificar lideranças para o trabalho social e a cidadania política.
  • Atuar nas linhas de frente: Pastoral do mundo do trabalho; Economia Solidária, Reforma Agrária,  Movimento da Moradia, Fé e Política, Educação Popular, Terceira Idade.

Quando estamos fazendo o Reino de Deus acontecer;
quando estamos construindo a Boa Nova,
sentimos uma grande alegria:
sinal da presença de Deus entre nós.


domingo, 29 de novembro de 2015

DESERTO MISSIONÁRIO

CHAMADO AO DESERTO

- Os 2,16: Agora, sou eu que vou seduzi-la.  Vou levá-la ao deserto e conquistar o seu coração.
- Os 2,21: Eu me casarei com você para sempre. Me casarei com você na justiça e no direito. No amor e na ternura. Eu me casarei com você na fidelidade e você conhecerá Jave.

O Deserto é o lugar da solidão e do despojamento, onde a pessoa vivencia, de modo radical, o amo de Deus e a misericórdia para com os irmãos. Através da história, o deserto mantém a sua importância fundamental para a espiritualidade bíblica e cristã.

Entramos na solidão do deserto para encontrar Jesus e estar com ele e só com ele. Com Jesus encontramos a nós mesmos/as; encontramos a nossa essência, o nosso eu, a minha natureza, quem eu estou sendo, quem eu quero ser. É somente lá, no mais profundo do nosso ser, com a iluminação divina, que poderemos nos encontrar; ou seja,  que poderemos vislumbrar o sonho de Deus para a nossa existência. Somos um projeto maravilhoso de Deus.  O  deserto é um meio para um encontro vivificante com Deus e com  a essência do nosso ser.

O deserto tem seus próprios valores. Traz em si o sinal da aridez, do despojamento para todos os sentidos, tanto para a vista como para os ouvidos. Traz em si o sinal da pobreza, da austeridade, da profunda simplicidade; o sinal da total incapacidade do ser humano, que nele descobre sua fraqueza, pois o ser humano no deserto, nada pode fazer para subsistir por si mesmo, sendo obrigado a só em Deus buscar força e socorro. É Deus que nos conduz ao deserto. Experienciar o deserto é uma tentativa de caminhar despojado, fraco, sem qualquer apoio humano, no jejum de todo alimento ao encontro de Deus. A oração no deserto é uma espera do alimento que Deus vai enviar, como fez com Elias e com os hebreus na sua caminhada exodal-pascal.

O que é muito importante na experiência do deserto é o despojamento total e espera pacífica e silenciosa de Deus. Essa espera passiva e orante se torna um grito de súplica lançado a Deus. Para ir ao deserto é preciso crer que Deus pode vir a nosso encontro na contemplação e, para saborear a graça de sua visita, é preciso desejá-la com alegria e confiança. É preciso a humildade do coração, a aceitação da austeridade e simplicidade dessa forma de encontro com Deus. É também na nudez do deserto que cairão as ilusões de tudo que entulha nosso coração. Só pode caminhar sozinho na experiência do deserto quem tiver o coração simples e pobre. O encontro contemplativo com Deus no deserto é a fonte de nossa fidelidade às exigências de uma vida contemplativa e missionária.

DESERTO: UMA ESPIRITUALIDADE LIBERTADORA
Entramos na solidão do deserto para encontrar Jesus e estar com ele e só com ele. Com Jesus encontramos nossa verdadeira natureza e jeito de ser e viver. É um verdadeiro encontro consigo mesmo que brota do encontro com quem unicamente pode nos fazer mudar para melhor. A verdadeira solidão mística nunca nos deixará longe de Deus, nem de nós mesmos, pois é um encontro vivificante com Deus, fonte de nossa vida e espiritualidade. Segundo Galilea desenvolve quatro pontos para compreender melhor a experiência contemplativa e agraciante do deserto (A graça da desolação: influência dos padres do deserto na espiritualidade contemporânea. Loyola, l988):

Tudo é relativo diante do absoluto que é Deus. No deserto estamos a sós diante de Deus e sua presença amorosa vem nos plenificar a dar sentido as nossas vidas. Não necessitamos de mais nada; despojamo-nos de todas as outras realidades. É um despojamento radical para podermos amar e buscar Deus com todo o coração. Só Deus basta! Ele á a rocha que sustenta a nossa vida tantas vezes ameaçada pelas nossas fragilidades. Assim, no deserto, todas as coisas são relativas e relativizadas.

Diante do Criador conhecemos na verdade quem somos. O deserto é lugar da autenticidade, da transparência e da verdade. A ambiguidade de nossas motivações e de nossa generosidade e gratuidade vêm à tona, e nos vemos tais quais somos, ou melhor, tais como Deus nos vê. O deserto é lugar de conversão e da purificação e pacificação do coração. Pois se em verdade buscamos a Deus, a tomada de consciência leva-nos a optar pela luz que o deserto nos revela e a despojar-nos das trevas dos nossos motivos e das nossas atitudes. Leva-nos a fazer calar as vozes enganosas que surgem dos ídolos da sociedade neoliberal, das ideologias, da riqueza e do bem estar, do prestígio e do poder, das compensações sutis do prazer. O deserto é caminho da libertação interior.
Recebemos um amor que transborda de nós. O deserto ensina-nos a amar verdadeiramente. O aprendizado do amor fraterno requer de nós uma atitude fraternal. A solidão dá lugar à compaixão e misericórdia porque nos faz morrer ao próximo. Uma das grandes expressões da libertação em nossa vida é a vivência do amor fraterno. Precisamos sair do egoísmo que nos afasta dos nossos irmãos e irmãs.
Pela batalha é que conseguimos a vitória. O deserto é lugar da tentação e da provação, da crise e também da sua superação. Toda vitória passa pela batalha. O sentido da ascese, da abnegação e da luta contra as paixões é de grande valia para nós que constantemente buscamos a Deus. Buscamos alcançar um amor maior a Deus e aos irmãos e  irmãs.

DESERTO: EXPERIÊNCIA DO SACRAMENTO DO MOMENTO PRESENTE
O momento presente é nosso espaço de vida espiritual. Esse é o lugar a partir do qual começamos a entrar, o mais plenamente que pudermos, no momento presente, descartando todas as coisas passadas e futuras que possam fazer que a nossa atenção perca seu foco exclusivo em Deus. Esse é o único lugar da mãe terra em que o tempo pode tocar a eternidade. Para santificar esse lugar e consagrá-lo a Deus, os padres do deserto fizeram um tempo prolongado de reconciliação com Deus, e nele, com seus irmãos e irmãs. Tornou-se momento de purificação e pacificação pessoal, para que nossas culpas passadas não nos perturbassem. O momento presente é sacramento, pois se trata do único momento que o tempo toca a eternidade.A oração é a oferta que faz dele um lugar sagrado, em que o humano e o divino encontram-se, formando uma unidade.
Deserto é o momento em que nos colocamos livres para algo da maior importância em nossa vida, que é amar e vivenciar ser amado. Jesus também quis, mais do que tudo, receber e vivenciar o amor do Pai. Quis também retribuir e partilhar com outras pessoas o que recebera. Isso implicar em estruturar sua vida de modo  que pudesse ter constante acesso ao amor que  partilharia com seus irmãos e irmãs. Jesus ia ao templo e à sinagoga com seus discípulos. Passava momentos pessoais de solidão contemplativa. Ele soube descobrir e usufruir o momento presente, buscando um espaço de vida espiritual. Ele orientava seus discípulos a evitar fazer a oração de modo ostentatório pela qual muitos escribas e fariseus rezavam em público, a fim de atrair a atenção para si. Por isso, o deserto é uma graça – estar a sós com Mestre!
É bom ter um pequeno espaço de vida espiritual, uma capelinha nos fundos da casa, para podermos nos retirar ao nosso deserto, e ali encontrar a liberdade interior para receber e vivenciar o mesmo amor que inspirou Jesus e transformou tudo aquilo que ele fez.

COM JESUS NO DESERTO
Ir. Carlos de Foucauld deu uma ênfase à vida de fraternidade solidária entre os pobres. O segredo de um comprometimento missionário passa pelas nossas experiências de deserto, isto é, nossa contemplação nos vários espaços de vida, onde estamos diante do Mestre do nosso caminhar. A oração meditada e contemplada da Palavra de Deus, na qual aprendemos ser e viver como discípulos e discípulas amados a maneira de Jesus ser e viver. Com Jesus identificamos as raízes da nossa missão e fazemos o discernimento necessário para fazer sempre a vontade do Pai.
Para os irmãozinhos de Carlos de Foucauld, o chamado para ir com Jesus ao deserto, faz parte de seu chamado a uma missão de oração, contemplação e adoração. É o mesmo Espírito de Jesus de Nazaré que chama o irmãozinho a descer para o espaço missionário dos pobres e subir à montanha para estar com Deus, fonte de toda missão e contemplação.
Saibamos voltar para Jesus; saibamos voltar ao essencial; saibamos voltar para  o radical. Saibamos descobrir em Jesus o caminho do discipulado missionário.
Aprendamos a fazer  a encarnação do  nosso ser na pessoa de Jesus, para nos tornarmos amantes do Senhor, amantes de nós mesmos/as, amantes dos filhos de Deus, sendo um  dom de Deus,  de maneira original.

CONCLUSÃO
1.       Escute, com doçura de coração, o que o Senhor te revela;
2.       Anote as revelações do Senhor para você;
3.       Faça a renovação da sua aliança de amor com Jesus.



sábado, 21 de novembro de 2015

REDE DE SOLIDARIEDADE PELA VIDA

REDE DE SOLIDARIEDADE PELA VIDA
Animação, articulação, integração, formação, mística, missão


1. Por que organizar uma Rede de Solidariedade?

Há grupos e comunidades com diversos desafios a espera de respostas. Há pessoas querendo se comprometer com os desafios da comunidade e não sabem por onde começar. Há lideranças trabalhando sozinhas e sentindo-se incapazes de responder aos desafios que se apresentam.  Há grupos e ações sociais que não atingem satisfatoriamente seus objetivos. Parte das ações sociais e políticas estão desarticuladas gerando uma prática social fragmentada e ineficiente na conquista e garantia de direitos.

O Espírito nos convoca no sofrimento dos pobres e necessitados. Se fecharmos os olhos para os sofrimentos dos irmãos não assumimos o Projeto do Pai que a construção do Reino de Justiça para todos.

Precisamos acompanhar a reflexão que as entidades e fóruns estão fazendo a nível municipal, estadual e nacional.  Precisamos pensar e agir de forma mais ampla situando a nossa ação local dentro do contexto global.  Sem tirar o específico dos grupos e entidades, precisamos buscar parcerias para uma ação solidaria e defensora de direitos, onde a vida humana está sendo mais ameaçada.
 A Rede nos pode ajudar a dinamizar uma Caridade Libertadora, defendendo e promovendo a Vida, construindo uma sociedade justa e fraterna, conforme o sonho de Deus.

2. Objetivo geral: Sensibilizar, articular, integrar, capacitar e fortalecer as organizações e serviços em defesa dos excluídos, construindo uma Rede de Solidariedade pela Vida.

3. Objetivos específicos:
1.    Sensibilizar, animar e fortalecer pessoas, grupos e comunidades para o serviço de defesa da vida e promoção da dignidade humana;
2.    Articular, integrar e fortalecer os projetos eclesiais, públicos e sociais existentes;
3.    Programar linhas de ação junto aos excluídos para responder a necessidades não atendidas.
4.    Promover a capacitação sócio-econômico-político e pedagógica das lideranças visando o empoderamento, o protagonismo e a cidadania dos excluídos;
5.    Desenvolver uma mística bíblico-libertadora.

4. Atividade
1.      Mapear (diagnosticar) as áreas mais carentes da região/cidade com os seus tipos de carência e elaborar o diagnóstico da realidade (Mapa da Exclusão);
2.      Mapear as forças eclesiais, públicas e sociais que atuam a serviço dos excluídos, com suas respectivas atividades e elaborar o Guia da Solidariedade;
3.      Integrar e fortalecer todos os serviços existentes (eclesiais, públicos e sociais) numa atuação em parcerias e em Rede visando fortalecer a eficácia das ações junto aos excluídos;
4.      Implementar ações que respondam a desafios de comunidade e grupos em vulnerabilidade social (desemprego, drogadição, violência infanto juvenil, violência doméstica, abandono de idosos);
5.      Apoiar as comunidades carentes na implementação de pastorais e serviços político-sociais;
6.      Aprofundar as políticas públicas;  
7.      Acompanhar os Conselhos e a Câmara Municipal;
8.      Capacitar lideranças e grupos visando responder, de modo eficaz, as necessidades dos excluídos;
9.      Articular as pastorais e serviços sociais com as políticas públicas visando garantir a eficácia na conquista de direitos;
10.  Desenvolver uma espiritualidade bíblica e libertadora;
11.  Alinhar a caminhada das comunidades com as diretrizes, orientações e iniciativas da CNBB e da Arquidiocese de Pouso Alegre;
12.  Criar um site para divulgar e articular serviços sociais, subsídios e eventos;
13.  Trabalhar em parcerias e em REDE;  
14.  Realizar Fóruns com as comunidades, entidades e serviços para integração, ajuda mútua, canalização de carências e recursos, multiplicação dos trabalhos, Fortalecimento de ações em conjunto; 
15.  Implementar a Campanha da Fraternidade, Semana Social Brasileira, Grito dos Excluídos, as Pastorais e Serviços sociais e a presença pública da Igreja na sociedade;
16.  Ser presença evangélica na sociedade
               · Junto aos pobres - Solidariedade;
            · Junto a Igreja - Acordar;
            · Junto aos poderes públicos - Pressionar.



5.  Metodologia de ação da Rede: 
Ver, comover-se, analisar, articular, agir, rever, celebrar.

6. Mística da Rede: Manter viva e ativa a esperança. Fortalecer as ações e lutas dos excluídos. Ser presença profética na sociedade. Desenvolver uma criatividade surpreendente. Apostar no coletivo. Manter a mobilização. Unir todas as forças e romper com a visão fragmentada da realidade. Co-sentir com o povo. Realizar a caridade libertadora e a missionariedade da justiça.  Assegurar aos excluídos o processo de conquista de direitos, resgate da dignidade e o exercício da cidadania.

7. Dinâmica da Rede: 
Convergir, interagir, irradiar, multiplicar, potencializar.
·  Convergência: de lideranças e serviços
·  Interação: troca de experiências, formação, informação, revisão, fortalecimento dos serviços.
·  Irradiação: multiplicação das experiências, redimensionamento, potencialização, ações conjuntas.

8. Natureza da Rede: A Rede é cristã ecumênica, suprapartidária, sem fins lucrativos e visa à articulação dos movimentos, pastorais e entidades comprometidas com os excluídos de nossa sociedade para atingir o pleno exercício da cidadania e o resgate da dignidade humana.

9. Quem participa da Rede: lideranças, grupos, pastorais, comunidades, entidades civis, Igrejas, associações de bairro, movimentos populares, conselhos municipais, faculdades, sindicatos, partidos, secretarias públicas.

A expressão mais profunda da caridade 
consiste no compromisso político com a construção do Reino 
que passa pela transformação da realidade (Frei Beto).

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

TECENDO FÉ E VIDA



POR QUE TECER UMA REDE MISSIONÁRIA?

As condições de vida de muitos irmãos abandonados, excluídos e ignorados em sua miséria e dor, contradizem o projeto do Pai e desafiam os cristãos a um maior compromisso em favor da vida.
Se fecharmos os olhos para essas realidades não somos defensores da vida e nos situamos no caminho da morte.
A dinâmica amorosa do Espírito de Deus em nós nos pressiona, nos compeli a uma ação libertadora dos pobres, na história, em nome de Deus e com o coração de Deus.


OBJETIVO GERAL

Promover a formação de lideranças para dar prosseguimento do Projeto de Jesus, animando os ministérios necessários à construção do Reino, hoje, valorizando o carisma de cada pessoa.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Desenvolver uma espiritualidade bíblica, contemplativa, encarnada e libertadora.

Promover a formação para o discipulado missionário com ênfase no Projeto de Jesus, nos documentos da Igreja, na análise de conjuntura e diagnóstico da nossa realidade.

Potencializar a missionariedade da caridade numa dimensão libertadora, fortalecendo pessoas e grupos para atuarem nas situações de fronteiras, integrando as ações de solidariedade presentes em nossa região, promovendo o empoderamento, o protagonismo a  cidadania dos excluídos.


ESPIRITUALIDADE

Queremos desenvolver uma Espiritualidade Bíblica, Contemplativa, missionária e libertadora: profetizando os valores do Reino; participando na construção de uma sociedade justa e fraterna; renovando, com o povo, a nossa pertença a Deus numa Aliança de Amor, Fé e Compromisso.

FORMAÇÃO

Propomos-nos aprofundar as questões sócio-político-econômicas a partir da fé cristã para buscarmos a eficácia da caridade por meio de ações cidadãs;
Reconhecer as possibilidades de exercício da cidadania para vivenciar a relação Fé e Vida, tendo como fundamento a Palavra de Deus e a Doutrina Social da Igreja.


MISSÃO

Somos convocados (as) pelo Senhor para somarmos forças em defesa da vida, da Verdade e da Justiça.
Dispomos-nos a participar na construção do Reino através da formação de lideranças; da articulação da solidariedade; promovendo o protagonismo dos pobres e excluídos rumo à uma sociedade mais igualitária, justa e fraterna, conforme o sonho de Deus.


PRINCÍPIOS DA REDE MISSIONÁRIA

ENCARNAÇÃO: Renovada opção pelos pobres e pelas causas dos pobres. A evangelização deve se inserir nas novas realidades e responder aos desafios atuais;
CIENTIFICIDADE: a evangelização deve partir dos mais empobrecidos, em suas necessidades vitais básicas, buscando a eficácia na conquista e garantia de seus direitos, para se viver com dignidade.
ATUAÇÃO PROFÉTICA: Colocar se na defesa dos marginalizados, na alegria do Evangelho, sem medo dos riscos;
MÍSTICA DO REINO DE DEUS: Espiritualidade encarnada, bíblica, libertadora, feminina e ecológica;
NOVA ECLESIALIDADE: geradora de comunhão entre as pessoas - tecedora de solidariedade entre os grupos, marcando presença no mundo das novas pobrezas, ajudando na construção do sonho de Deus;
ATUAÇÃO EM REDES: em parcerias com todas as forças eclesiais, públicas e sociais, para potencializar a solidariedade, garantir a conquista de Direitos, resgatar a dignidade humana e assegurar o exercício da cidadania;
PROMOVER O PROTAGONISMO, O EMPODERAMENTO E A CIDADANIA dos pobres e excluídos através do desenvolvimento de projetos pastorais e sociais.
CAPACITAR LIDERANÇAS para atuar junto as pastorais, grupos e movimentos político sociais;
MANTER VIVO O TESTEMUNHO DOS MÁRTIRES que deram a vida pelas causas dos pobres como causas de Deus e que nos antecederam na missão do Reino.
PROMOVER EXPERIÊNCIAS DE ENCONTRO COM DEUS, DE DESERTOS, às lideranças das pastorais abertas as pessoas interessadas.
MANTER VIVA A ESPERANÇA de encontrar água na pedra.  Lutar até o fim. Combater o bom combate.
CELEBRAR A CAMINHADA, o processo de conquista do Reino que vem chegando a nós, em nossas práticas de libertação.



TRIPÉ DA AÇÃO EVANGELIZADORA

1. JUSTIÇA É a nossa participação na ação política, buscando a conquista e a garantia de Direitos, superando a injustiça, a desigualdade e a miséria.

2. SOLIDARIEDADE é o serviço em favor dos mais necessitados. É ir ao encontro do outro, dar as mãos, promover. É a construção de alternativas de sobrevivência e a luta por direitos. É a caridade libertadora.

3. MÍSTICA – é a nossa ação feita em nome de Deus e com o coração de Deus. É a experiência pessoal e comunitária de Deus que nos anima e nos impulsiona para a missão. É a força do Espírito Santo agindo em nós e transformando a realidade a nossa volta através de nós.

Esses valores são fundamentais para uma prática de fidelidade a Deus e de seguimento de Jesus Cristo. Integrados entre si, eles inspiram, fortalecem e alimentam uma atuação mística, social e política de defesa dos empobrecidos e de construção da fraternidade humana e universal.

Solidariedade – sem justiça é assistencialismo. Não liberta o pobre.

Justiça – sem solidariedade e sem mística é apenas uma ação política. Não humaniza a pessoa.

Mística – sem solidariedade e sem justiça é piedade alienada. Não é o que Jesus fez e ensinou.


METODOLOGIA

VER = levantar, investigar a realidade, identificar os desafios e os clamores sufocados de nosso povo.
COMOVER-SE= ter a com-paixão de Jesus. Ter misericórdia frente ao sofrimento alheiro. Ter ousadia na missão.
PRIORIZAR= escolher os desafios que necessitam ser enfrentados primeiro.
AGIR= planejar a ação junto com os empobrecidos, numa metodologia libertadora.
REVISAR = avaliar os resultados e redimensionar os objetivos.
CELEBRAR = a presença do Deus vivo e libertador na caminhada do seu povo.


Evangelizar hoje é continuar a História da Salvação, assumindo a sua dimensão política, em causas concretas de solidariedade, com a ternura e o vigor de Deus.

A mais profunda expressão da caridade consiste no compromisso político com a construção do Reino, que passa pela transformação da nossa realidade  (Frei Beto).