quarta-feira, 29 de agosto de 2018

22º Domingo do Tempo Comum – 2 de setembro

Na liturgia deste dia, o Senhor nos convida a manter uma relação de intimidade com ele, à qual somos chamados desde a criação. Essa relação tornou-se frágil a partir do desvio do ser humano no jardim do Éden, e por isso o convite divino é recorrente.

Toda a história da salvação é constante chamado de Deus à escuta de sua Palavra. É de Deus a iniciativa de entrar em diálogo com o ser humano e de caminhar com ele. Ao ser humano cabe a escuta que exige atenção, discernimento, compromisso, engajamento.
A chave da liturgia hoje é a escuta obediente a Deus.
I leitura: Dt 4,1-2.6-8
O Deuteronômio é constituído por uma série de discursos de Moisés, antes de sua morte, enquanto os israelitas estavam no limiar da terra prometida. Esses discursos consistem em um plano de ação, uma instrução que deveria conduzir a vida do povo após a entrada na terra.
Assim, após breve evocação histórica da caminhada feita até então, Israel é exortado a observar a Lei do Senhor. Esse olhar retrospectivo sobre a salvação realizada por Deus em favor de seu povo, tirando-o do Egito, da terra da escravidão, abençoando-o, acompanhando-o pelo deserto, estando com ele (cf. Dt 2,7), é o fundamento das palavras que serão ditas, as quais Israel deve escutar e guardar. Também a entrega da Lei é ato salvífico, pois de sua observância depende a vida e a posse da terra (Dt 4,1).
As leis, decretos e mandamentos são dom de Deus para seu povo. Palavra a ser acolhida, guardada e praticada, pois nela a comunidade israelita se reconhece e por ela são reconhecidas, perante os outros povos, sua sabedoria e inteligência. Israel é o povo eleito, escolhido por Deus por sua benevolência e amor misericordioso (cf. Dt 6,7-8). Assim, a eleição de Israel é, ao mesmo tempo, dom e tarefa, acompanhada da missão de manifestar e tornar conhecido seu Deus entre os povos.

II leitura: Tg 1,17-18.21b-22.27
O ser humano é criado à imagem de Deus e chamado a relacionar-se com ele. Pela Palavra, o ser humano foi criado e, pela acolhida da Palavra, é salvo, realiza sua vocação e identidade mais profunda.
O cristão deve responder à Palavra de Deus com a escuta ativa. A proposta dessa Palavra diz respeito à pessoa integralmente, exige total comprometimento. A religião pura e sem mancha exige transformar a Palavra em boas obras. A pureza exigida pelo culto é a do amor e da prática da justiça, sobretudo para com os mais necessitados.
Evangelho: Mc 7,1-8.14-15.21-23
O convite à escuta permeia toda a Bíblia. Abre a confissão de fé do povo de Israel: “Ouve, ó Israel…” (Dt 6,4).
No entanto, ouvir a Palavra de Deus ultrapassa o sentido de escutar, dar ouvidos, prestar atenção.  Exige compromisso e engajamento. Evoca a ação do próprio Deus, que ouviu o grito do seu povo e desceu a fim de libertá-lo (cf. Ex 3,7-8).
A escuta autêntica da Palavra a base para a relação com Deus e para o conhecimento de seu projeto para a humanidade. A escuta autêntica tem como consequência imediata uma resposta à comunicação de Deus, que toma a iniciativa de pôr-se em diálogo com o ser humano e revelar-se a si mesmo e o mistério de sua vontade (cf. DV I, 2).
A Palavra acolhida tem consequências históricas. Desperta o amor e o engajamento em favor dos outros; a dedicação a uma causa; a força para encarar o sofrimento e os males do mundo como desafio; a criatividade para identificar o que pode ser feito para modificar a situação; a alegria e a esperança apesar do sofrimento realizando assim o propósito do Pai.
Para Jesus as práticas cultuais, as doutrinas e a religiosidade vazia de seus acusadores estavam relacionadas a seu coração distante de Deus (cf. Mc 7,6).
1.    Será que a Palavra de Deus nos transforma, nos entusiasma, mobiliza a nossas energias para sermos autênticos discípulos de Jesus?
2.    A Palavra de Deus nos faz reveladores de esperanças para os pobres?
3.    O Deus em quem cremos é o Deus de Jesus Cristo?


Resumo do texto de Ir. Rita Maria Gomes, nj -  in Vida Pastoral.
Ir. Rita Maria Gomes, nj, é natural do Ceará, onde fez seus estudos em Filosofia no Instituto Teológico e Pastoral do Ceará (Itep), atual Faculdade Católica de Fortaleza. Possui graduação, mestrado e doutorado em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje), onde leciona Sagrada Escritura. É membro do Instituto Religioso Nova Jerusalém, que tem como carisma o estudo e o ensino da Sagrada Escritura. E-mail: ritamarianj@gmail.com

EVANGELHO DO 21º DOMINGO – VOCÊ TAMBÉM QUER ME ABANDONAR?


Jesus, no Evangelho de João, capítulo 6, afirma que dará a sua Carne para a vida do mundo; que Ele é o pão vivo descido do céu;   que  “quem come a sua  carne e bebe o seu sangue tem a vida eterna”.  

Jesus   quer habitar em nós.  Isto implica que sejamos alimento de amor e de esperança para os que sofrem; serviço de misericórdia e de justiça para a humanidade e o mundo.

Jesus pergunta então a Pedro que permanece diante dele: e você? “Não quer partir?” A pergunta de Jesus é firme e exige posicionamento.

Pedro então faz sua confissão de fé: “onde iria? Se Tu tens palavras de vida eterna”. Pedro confia, reconhece Jesus como o Enviado de Deus, o Messias. Responde pelos doze, assume a responsabilidade também por eles.

A pergunta feita a Pedro é dirigida a nós hoje.   As palavras duras de Jesus exigem compromisso concreto.

Nós também precisamos compreender que receber o Cristo não pode se limitar a um ato ritual. Precisa ser ato transformador, interior e exterior, concreto.

O cristianismo não pode se limitar a ritos, penitências e esmolas, mas exige fidelidade à pessoa de Jesus e à sua causa, em serviços concretos de misericórdia e de justiça, de modo afetivo e efetivo, até que todos tenham vida plena, em Deus.
Para João, Jesus é o enviado de Deus; é Aquele que revela o Pai aos homens. Jesus revela que o Pai nos ama e quer que tenhamos vida plena.

Jesus é o verbo de Deus feito carne que veio para vida aos homens. As obras que Jesus realiza são provas de que realmente ele é o enviado de Deus e que Deus lhe deu poder; Que ele vem de Deus e a Deus retornará.

Jesus é a fonte da vida plena que vem a nós pelo seguimento radical da sua pessoa e da sua proposta. Segundo João é preciso aderir a pessoa de Jesus para que os homens tenham vida plena.  
A vida definitiva começa quando os homens, comprometendo se com Jesus, assumem viver em favor dos irmãos, segundo a proposta de Jesus.

 Crer em Jesus é dar continuidade ao seu Projeto.

sábado, 11 de agosto de 2018

CONSIDERAÇÕES SOBRE O EVANGELHO DE JESUS CRISTO SEGUNDO SÃO JOÃO – CAP. 6


Jesus realiza a multiplicação dos pães numa alusão a Eucaristia. E a Eucaristia aponta para o projeto de Deus que é uma sociedade igualitária, de justiça e fraternidade. Jesus aponta para uma nova ordem social que garanta a inclusão de todos e a vida plena para todos.

Jesus propõe uma sociedade baseada na partilha, governada com predileção para com os pobres e oprimidos e onde  autoridade é aquela que serve.  Esta proposta de Jesus é caminho para vencer o pecado e a morte presente nas estruturas opressoras; Caminho para que a humanidade tenha vida verdadeira, plena e definitiva.

Jesus nos convoca para transformar a realidade de morte em realidade de vida.

Com a chave: “Dai lhes vós mesmos de comer” Jesus indica que o projeto de Deus – uma sociedade igualitária, justa e fraterna passa por nós.

Participar da celebração da Eucaristia significa que estamos explicitamente implicados com a construção do Reino de Deus; Reino de Justiça, de fraternidade e bem aventurança para todos os filhos de Deus.

Jesus exorta o povo que o procurava: “Não trabalhem pelo alimento que estraga. Trabalhem pelo alimento que dura para a vida eterna”. Qual é o alimento que dura para sempre?  É o Reino de misericórdia, de justiça e fraternidade.   Com isto Jesus nos pede que trabalhemos pelo Reino de Deus. Trabalhemos para salvar, defender e promover a vida; para gerar vida para os outros; até que Deus, em seu infinito amor, seja tudo em todos.

“Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome. E quem acredita em mim nunca mais terá sede”.
O que significa não ter mais fome; não ter mais sede? Quem acolhe a pessoa de Jesus e assume o seu projeto; quem diz sim ao plano salvífico de Deus, faz a salvação acontecer aqui e agora para os pobres e os que sofrem. A vida definitiva começa quando os homens se tornam discípulos e missionários de Jesus; quando se comprometem com as reais causas dos pobres, antecipando a chegada do Reino. Participamos já, aqui e agora, do Reino de Deus, embora de forma limitada, até o dia em que alcançaremos a plenitude no amor. 

Em  JO 6,41-51 – Destacamos as seguintes afirmações de Jesus:  “EU SOU O PÃO DA VIDA.” “EU SOU O PÃO DESCIDO DO CÉU. QUEM COMER DESTE PÃO VIVERÁ ETERNAMENTE.” “E O PÃO QUE EU DAREI É A MINHA CARNE DADA PARA A VIDA DO MUNDO.”
Estas frases são uma alusão à morte na cruz pela qual Jesus iria passar.  Jesus convive com os pobres, conhece os seus sofrimentos e conhece também a trama dos poderes opressores.  Jesus assume a defesa dos pobres até o fim, até a morte na cruz. 

O pão do céu é a pessoa de Jesus e a  proposta de Jesus. Comer o pão da vida é dar adesão à pessoa de Jesus e à causa de Jesus; é ser como Jesus: dar a vida para que os outros tenham vida. Deus nos alimenta para juntos construirmos o seu Reino de Amor e justiça.

Acreditar em Jesus é viver como Jesus viveu: na escuta profunda da vontade do Pai, no serviço aos pobres e na luta contra tudo o que destrói a vida do seu povo.  Assim seremos também nós, pão vivo, repartido para a vida do mundo. Pão de solidariedade, de justiça, de fraternidade.

A celebração da Eucaristia é um ato de fé, de persistência e de resistência na construção do Reinado de Deus – Reinado de amor, de justiça, de fraternidade.

Que lugar ocupa Jesus em nossa vida? O Projeto de Jesus tem um impacto real na nossa opção de vida?  Quais são os reflexos do nosso seguimento de Jesus  na comunidade e na sociedade?
O que dificulta hoje, o nosso encontro com Jesus?  Estamos sendo fonte de vida, de amor e de justiça em nossa comunidade e sociedade?

Tenhamos coragem de comer o Pão da vida que é Jesus de Nazaré, nos colocando como discípulos/as e missionários/as da Boa Nova para os pobres, acreditando que “um outro mundo é possível,’ pois Deus nunca se esquece da aliança que fez com o seu povo e conta conosco para realizar o seu plano de amor.