sábado, 11 de agosto de 2018

CONSIDERAÇÕES SOBRE O EVANGELHO DE JESUS CRISTO SEGUNDO SÃO JOÃO – CAP. 6


Jesus realiza a multiplicação dos pães numa alusão a Eucaristia. E a Eucaristia aponta para o projeto de Deus que é uma sociedade igualitária, de justiça e fraternidade. Jesus aponta para uma nova ordem social que garanta a inclusão de todos e a vida plena para todos.

Jesus propõe uma sociedade baseada na partilha, governada com predileção para com os pobres e oprimidos e onde  autoridade é aquela que serve.  Esta proposta de Jesus é caminho para vencer o pecado e a morte presente nas estruturas opressoras; Caminho para que a humanidade tenha vida verdadeira, plena e definitiva.

Jesus nos convoca para transformar a realidade de morte em realidade de vida.

Com a chave: “Dai lhes vós mesmos de comer” Jesus indica que o projeto de Deus – uma sociedade igualitária, justa e fraterna passa por nós.

Participar da celebração da Eucaristia significa que estamos explicitamente implicados com a construção do Reino de Deus; Reino de Justiça, de fraternidade e bem aventurança para todos os filhos de Deus.

Jesus exorta o povo que o procurava: “Não trabalhem pelo alimento que estraga. Trabalhem pelo alimento que dura para a vida eterna”. Qual é o alimento que dura para sempre?  É o Reino de misericórdia, de justiça e fraternidade.   Com isto Jesus nos pede que trabalhemos pelo Reino de Deus. Trabalhemos para salvar, defender e promover a vida; para gerar vida para os outros; até que Deus, em seu infinito amor, seja tudo em todos.

“Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome. E quem acredita em mim nunca mais terá sede”.
O que significa não ter mais fome; não ter mais sede? Quem acolhe a pessoa de Jesus e assume o seu projeto; quem diz sim ao plano salvífico de Deus, faz a salvação acontecer aqui e agora para os pobres e os que sofrem. A vida definitiva começa quando os homens se tornam discípulos e missionários de Jesus; quando se comprometem com as reais causas dos pobres, antecipando a chegada do Reino. Participamos já, aqui e agora, do Reino de Deus, embora de forma limitada, até o dia em que alcançaremos a plenitude no amor. 

Em  JO 6,41-51 – Destacamos as seguintes afirmações de Jesus:  “EU SOU O PÃO DA VIDA.” “EU SOU O PÃO DESCIDO DO CÉU. QUEM COMER DESTE PÃO VIVERÁ ETERNAMENTE.” “E O PÃO QUE EU DAREI É A MINHA CARNE DADA PARA A VIDA DO MUNDO.”
Estas frases são uma alusão à morte na cruz pela qual Jesus iria passar.  Jesus convive com os pobres, conhece os seus sofrimentos e conhece também a trama dos poderes opressores.  Jesus assume a defesa dos pobres até o fim, até a morte na cruz. 

O pão do céu é a pessoa de Jesus e a  proposta de Jesus. Comer o pão da vida é dar adesão à pessoa de Jesus e à causa de Jesus; é ser como Jesus: dar a vida para que os outros tenham vida. Deus nos alimenta para juntos construirmos o seu Reino de Amor e justiça.

Acreditar em Jesus é viver como Jesus viveu: na escuta profunda da vontade do Pai, no serviço aos pobres e na luta contra tudo o que destrói a vida do seu povo.  Assim seremos também nós, pão vivo, repartido para a vida do mundo. Pão de solidariedade, de justiça, de fraternidade.

A celebração da Eucaristia é um ato de fé, de persistência e de resistência na construção do Reinado de Deus – Reinado de amor, de justiça, de fraternidade.

Que lugar ocupa Jesus em nossa vida? O Projeto de Jesus tem um impacto real na nossa opção de vida?  Quais são os reflexos do nosso seguimento de Jesus  na comunidade e na sociedade?
O que dificulta hoje, o nosso encontro com Jesus?  Estamos sendo fonte de vida, de amor e de justiça em nossa comunidade e sociedade?

Tenhamos coragem de comer o Pão da vida que é Jesus de Nazaré, nos colocando como discípulos/as e missionários/as da Boa Nova para os pobres, acreditando que “um outro mundo é possível,’ pois Deus nunca se esquece da aliança que fez com o seu povo e conta conosco para realizar o seu plano de amor.