Por isso que não sabemos ouvir com paciência e compaixão a tantos que sofrem sem receber apenas o carinho e nem a atenção de ninguém.
As vezes se diria que a igreja, nascida de Jesus para anunciar a sua boa notícia, vai fazendo o seu próprio caminho, esquecida com frequência da vida concreta de preocupações, medos, trabalhos e esperanças das pessoas.
Se não ouvirmos bem as chamadas de Jesus, não colocaremos palavras de esperança na vida dos que sofrem.
Há algo de paradoxal em alguns discursos da igreja. Dizem-se grandes verdades, mas não tocam o coração das pessoas. Alguma coisa disto está acontecendo nestes tempos de crise.
A sociedade não está esperando "doutrina religiosa" de especialistas, mas uma palavra inspirada no evangelho de Jesus, pronunciada por uma igreja sensível ao sofrimento das vítimas, e que sabe sair em sua defesa convidando-nos a estarmos perto de quem mais precisa de ajuda para viver com dignidade humana.
Domingo 23 tempo ordinário – b (Marcos 7,31-37)
José Antonio Pagola
José Antonio Pagola