sexta-feira, 21 de setembro de 2018

FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA E TEOLÓGICA DA MISSÃO

Encontramos o fundamento da nossa ação pastoral e da cidadania na ação criadora e misericordiosa de Deus que interfere na história, em defesa dos pequenos, para realizar justiça:

“Eu vi a aflição do meu povo. Eu ouvi os seus clamores.
Eu conheço os seus sentimentos.
Vai, eu te envio. Eu, estarei contigo”.
                                  (Ex 3, 7-10)

Deus revela, Deus envia, Deus liberta. Deus promove. O nosso Deus deu-se a conhecer, revelou-se para uma experiência de libertação.  Através das organizações, lutas e conquistas o povo de Israel foi desenvolvendo a sua fé num Deus Vivo, Libertador, comprometido com a Justiça.

Êxodo: a experiência de libertação do Êxodo é a experiência fundante da nossa fé. A partir do Êxodo o compromisso com a Justiça é o eixo condutor da ação de Deus que interfere na história em defesa dos pequenos. O compromisso com a justiça, eixo de toda a Bíblia, é a base da nossa ação pastoral.

Profetas: A Justiça e a libertação foi o objetivo da luta dos profetas. Os profetas conheciam bem a realidade, enxergavam as raízes, as causas da opressão e viam por onde passava o caminho da justiça. Os profetas são sensíveis às dores dos pobres, apontam as saídas e articulam os pobres na busca da vida.

Maria: em seu cântico, resume o anseio histórico dos pobres e celebra uma transposição de Justiça que Deus realizará na história:

“Depôs do trono os poderosos e exaltou os humildes”.
Encheu de bens os famintos e despediu ricos em nada.” (Lc1, 51-52).

 



JESUS: dá continuidade á dinâmica da justiça e da libertação presente no Êxodo e nos Profetas. Ele condena as injustiças sociais e se solidariza com os pobres numa prática que inaugura o Reino de Deus.

“O Espírito de Deus está sobre mim. Ele me ungiu para anunciar a Boa Notícia aos pobres, para proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista. Para restituir a liberdade aos cativos e proclamar o ano da graça”. (Lc 4,18-19)
(projeto da vida de Jesus)

“Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo:
 “Os cegos recuperam a vista; os coxos andam; leprosos são curados, surdos ouvem, os mortos resuscitam e a Boa Notícia é anunciada aos pobres.” (Mt 11,4-6).

(chave para avaliação do nosso agir: estamos no caminho certo?
Devemos prosseguir ou rever a eficácia da nossa prática.).

“Tive fome e me deste de comer. Tive sede e me deste de beber.
 Era migrante e você me acolheu. Estive nu e me vestiste. Estive doente e me cuidaste.
Estive preso e veste me ver.” (Mt 25, 35-36).

(a chave do agir cristão é a solidariedade com os que sofrem.
A credibilidade da nossa fé depende da nossa solidariedade).
  

Jesus propõe uma nova sociedade: uma sociedade de justiça e de fraternidade, com novas relações sociais, econômicas e políticas.

Na dimensão social: os excluídos recobram a dignidade. São critérios para a construção da justiça, da fraternidade e critérios de avaliação da existência humana. Tornam-se juízes da história. Seremos julgados no rosto e na dor dos pobres.

A dimensão econômica: se baseia na partilha, na igualdade: Ela exige a nossa participação na construção de uma sociedade justa, igualitária, inclusiva, para que possa haver comunhão. (At 2;42;  Mc 6,35-44).

Na dimensão política: autoridade é aquela que mais e melhor serve.
JO 13,14-16: Jesus lava os pés dos discípulos  para nos ensinar a servir.
JO 15,12-13: O grande mandamento do amor, a chave do cristianismo.
Mc 10, 32-45: Autoridade é serviço. Quem quiser ser o maior, seja o servo de todos.

Seguir a Cristo, ser cristão, é dar prosseguimento ao seu projeto de construção do Reino de Deus. É a construção do Reino de Deus que justifica o “ser Cristão”.

A construção do Reino de Deus passa pela transformação desta  nossa sociedade. Para isso temos  que desvendar os mecanismos de opressão, pecado  e morte e  assumir, com os empobrecidos, um processo de luta pela  vida, pela dignidade humana, pela justiça.

O Espírito nos convoca no grito, na dor dos necessitados. Novos problemas sociais têm sua origem na modernização da sociedade. A economia vem produzindo cada vez mais com menos trabalhadores. Temos uma multidão de trabalhadores desempregados. A cada ano centenas de jovens chegam ao mercado de trabalho sem nenhuma perspectiva. Boa parte da população ativa dos pais está fora do mercado formal de trabalho. O desemprego é o nosso maior problema social. A isso soma se: subemprego, violência, criminalidade,  fome, prostituição, alcoolismo, tráfico e dependência das drogas, falta de moradia na cidade  e de terra para o trabalho, alienação social e política, falta de dignidade humana e de cidadania.

Como ser fiel à convocação do Espírito? O objetivo da nossa ação deve ser:
  1. Ouvir os clamores mais urgentes da população oprimida e marginalizada.
  2. Responder a esses clamores (problemas) numa perspectiva de construção da justiça social e do Reino de Deus. 

Para isso precisamos: 
  • Fazer um diagnóstico da realidade para ver os problemas maiores que aflige o povo;
  • Fazer uma análise social, econômica e política da realidade para ver: quais as causas que estão gerando os problemas? Quais as conseqüências destes problemas?
  • Priorizar o que é mais urgente; O que solucionar primeiro;
  • Buscar as experiências afins que já existem e que estão dando certo?
  • Fazer uma proposta de solução com metas claras e estratégias que garantam a eficácia da proposta. Temos que atacar as causas que geram o sofrimento e a exclusão e não ficarmos apenas nos efeitos;
  • Ter uma visão de conjunto: ação local com visão global
  • Manter a dimensão missionária: do centro para a periferia – em busca das áreas mais carentes e dos maiores desafios.
  • Qualificar lideranças para o trabalho social e a cidadania política.
  • Atuar nas linhas de frente: Pastoral do mundo do trabalho; Economia Solidária, Reforma Agrária,  Movimento da Moradia, Fé e Política, Educação Popular, Terceira Idade.

  
Quando estamos fazendo o Reino de Deus acontecer;
quando estamos construindo a Boa Nova,
sentimos uma grande alegria:
sinal da presença de Deus entre nós.