quarta-feira, 24 de maio de 2017

DEUS É COMPROMETIDO COM A JUSTIÇA

O nosso Deus deu-se a conhecer à grupos empobrecidos, numa experiência de libertação.
Através de experiências de organizações, lutas e conquistas o povo de Israel foi desenvolvendo a sua fé em um Deus LIBERTADOR, VIVO.  O VERDADEIRO DEUS É AQUELE QUE LIBERTA.

A experiência de libertação do Êxodo (Ex 3,7ss) é a experiência fundante da nossa fé em Deus.   A partir do Êxodo a libertação é o eixo condutor de toda a Bíblia e é a chave de interpretação e de organização de nossa sociedade e da nossa história.

A Justiça libertadora também foi o objetivo do trabalho dos profetas que conheciam bem a realidade e enxergavam as raízes, as causas da opressão.  Os profetas são sensíveis as dores dos pobres. Buscam caminhos de libertação e articulam os pobres na busca da vida e do Deus da vida.

Maria em seu cântico resume o anseio histórico dos pobres e celebra uma transposição de justiça que Deus realizará na história: 
“Depôs do trono os poderosos e exaltou os humilde.
Encheu de bens os famintos e despediu ricos sem nada.
(Lc 1, 51-52).”

Jesus dá continuidade a dinâmica de Justiça e de libertação presente no Êxodo e nos profetas.  Ele condena as injustiças sociais e se solidariza com os pobres numa prática  que traz o Reino de Deus.


 Jesus propõe uma NOVA SOCIEDADE, de Justiça e de Fraternidade, com novas relações econômicas, sociais e políticas:

1) NA DIMENSÃO SOCIAL: os excluídos do sistema recobram a sua dignidade e são critérios para a construção da FRATERNIDADE.Seremos julgados no rosto e na dor dos pobres.  

  • “Tive fome e me deste de comer... (Lc 25).” 
  • “O Espírito do Senhor ungiu-me e enviou-me para anunciar a Boa Nova aos pobres... Lc 4, 18-19).” 
  • “Amai-vos uns aos outros como eu vos amo” (Jo 15,12). 
  • “De que adianta alguém dizer que tem fé, se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salva-lo? A fé, sem a obra, é morta.” (Tiago 2, 14-18). 
  • “Daí-lhes vós mesmos de comer. Organizai o povo em grupos...” (Mc 6,30-44).

2) A DIMENSÃO ECONÔMICA: se baseia na partilha, na igualdade.   Atos 2, 42.

3) NA DIMENSÃO POLÍTICA: autoridade é aquela que mais e melhor serve a comunidade.
Jo 13, 14-16; Jo 15, 12-13; Mc 6, 30-44.

Seguir a Cristo é dar prosseguimento ao seu projeto de Construção do Reino. 

É  a missão (construção do Reino de Deus) que justifica o “ser cristão”.

A fé bíblica significa: combater, assegurados pela força de Deus que age em nós e através de nós, para salvar a pessoa humana.  A salvação implica na construção do Reino de Deus. A construção do Reino de Deus passa pela transformação desta nova sociedade. Para isso temos que desvendar os mecanismos de opressão-pecado e assumir, com os empobrecidos, um processo de salvação. O Espírito de Deus é a nossa força.


O Espírito de Deus nos convoca para a construção da Fraternidade mediante as necessidades mais urgentes de nossos irmãos.

POLÍTICA: MEIO PARA CONSTRUIR O REINO DE DEUS

Jesus chamou Tiago e João e disse: “aqueles que se dizem governadores das nações tem poder sobre elas. E os seus dirigentes tem autoridades sobre elas.  Mas, entre vocês não deve ser assim. Quem entre vocês quiser ser o grande, deve ser o servidor de vocês. E quem de vocês quiser ser o primeiro, deverá tornar-se o servo de todos. Porque o filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida como resgate em favor de muitos” (Lc 10, 42-45).

Jesus pratica o poder serviço e denuncia o poder dominação.  A fraternidade cristã só pode ser construída através da política do amor.  A ação política é o meio para construirmos o Reino de Deus fundados na fraterna igualdade dos irmãos.

Nossa política deve: 1) atender as necessidades dos pobres: famintos, sem terra, sem casa, desempregados etc. 2) gerar uma economia que atenda as necessidades de todos e promova a todos igualmente.

Jesus lava os pés dos apóstolos e depois diz: “...eu que sou o Mestre e o Senhor, lavei os pés de vocês, por isso, vocês devem lavar os pés, uns dos outros.... Se vocês fizerem isso, serão felizes" (Jo 13, 12-17).

A política é a arte de construir o bem comum. É a arte de fazer a felicidade de um povo.
Os cristãos tem que entrar na política para promover o bem dos pobres; a justiça de Deus.

Cada pessoa, grupo e comunidade tem que fazer avançar a construção da fraternidade humana e ecológica.
Seguir a Jesus é lutar para que todos os governos promovam o bem dos pobres.
Por isso deve se eleger pessoas simples e comprometida com a causa dos pobres.
Cada eleição é oportunidade que não se deve deixar passar.

Descuidar-se e eleger pessoas que só irão defender seus interesses e aumentar os seus bens é não ter amor aos outros; é uma infidelidade a Deus, é uma traição ao evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nós, cristãos, prosseguidores do Projeto de Jesus, continuamos a construção do Reino.   Por isso, temos que ser juiz da política, da economia, das relações sociais. Temos que apontar o caminho da história da salvação que é o caminho da justiça para os pobres.

O cristão tem que ser um apaixonado por política; por justiça, por fazer irmãos, por continuar a criação de Deus.

A mulher, geradora e formadora do homem, tem que gerar e educar revolucionários no amor: na justiça e na caridade eficiente.  Educadora cega só forma cegos. E um bando de cegos interessa para os grandes.   Mais Jesus curou os cegos para verem a realidade. E Maria, pobre, enxergou.

A política é a dimensão privilegiada da caridade eficiente.
A política  é  uma grande ferramenta que, quando não é usada  para construir a justiça, constrói a injustiça.
Tem partidos que defendem os interesses dos mais  pobres. Tem partidos que defendem os interesses próprios.

O voto é uma arma para elegermos pessoas comprometidas com os mais necessitados.    Mas, apenas votar é pouco. Se a política é o meio mais forte para assegurar a construção da Justiça, o cristão tem que defender que o projeto da Justiça ganhe no parlamento e no executivo.   O Cristão tem que assumir a política como meio de  salvação e de boa nova para os fracos.

 A mais profunda expressão da caridade consiste no compromisso político com a construção do Reino pela transformação da realidade”. (Frei Betto)

Que não sejamos analfabetos políticos, nem covardes políticos.





quarta-feira, 17 de maio de 2017

EUCARISTIA - MEMÓRIA DO SENHOR

Nosso Deus é um Deus que salva. Um Deus que privilegia os oprimidos que dele carecem.

Jesus Cristo se insere neste contexto e assume a dinâmica do Pai. Nossa ação missionária tem sua razão de ser ao levar em frente a história de salvação.

A Eucaristia, como memória do Senhor é memória das razões de sua morte e é profissão pública, solene do nosso compromisso em dar prosseguimento à sua causa, ao seu Projeto.

Jesus concebeu a sua existência como um serviço à libertação aos pobres. Como Boa Nova para os pobres. E foi perseguido, torturado e assassinado por causa deste serviço.

A Comunhão em João e em Paulo está ligado ao serviço aos empobrecidos e injustiçados.

Na Eucaristia: Mesa de irmãos repartindo o pão, temos uma força dinamizadora de construção da Fraternidade Humana, do Reino, que passa pela justiça, pela transformação dês estruturas injustas de nossa sociedade.

Eucaristia é celebração de uma comunhão vivida e é força para criar comunhão.
É adesão ao projeto de Cristo. É  entrega para que o pobre tenha vida. É construção de boa notícia: trabalho, saúde, alimentação, moradia, conscientização, organização.

Sem um compromisso real contra a espoliação dos seres humanos e em favor de uma sociedade justa, a comunhão é um ato vazio e inconsistente.

Comungar, numa realidade marcada pela injustiça, pela concentração de pão, de riquezas, pela exclusão social é um desafio muito grande.

Comungar implica num compromisso de promover a partilha, promover a vida. Desmanchar as concentrações  para promover a igualdade.

Eucaristia é o pão da igualdade. Todos juntos com um mesmo Pai.
É Jesus este pão de igualdade, viemos pra comungar, com a luta sofrida do povo que ter voz, ter vez, lugar.
Comungar é tornar-se um perigo, viemos pra incomodar.
Com a fé e a união nossos passos um dia vão chegar.

A Eucaristia se faz carne, realidade. Ressurreição que realiza na história em boas novas para os pobres.  Ao recebermos o corpo e sangue do Senhor devemos tornar sua presença vida, recuperando com os excluídos a condição de irmãos e a dignidade de Filhos de Deus.

Benção do Pão – fruto da terra e do trabalho humano:  
Deus, pai, Filho  e Espírito Santo, trindade que nos ama e ama através de nós, abençoai este pão para que ele se torne para nós lembrança do teu mandamento e fortaleça o nosso espírito para que possamos partilhar a nossa vida com os nossos irmãos mais excluídos. Amém. 



Fazer a dinâmica – ouvir o Pai Nosso e dar o abraço da Paz.

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DEUS ESTÁ NA PARTILHA E MULTIPLICA O QUE OS FILHOS FAZEM

Uma multidão no tempo de Jesus estava com fome. Uma multidão, hoje, em nosso Brasil, está com fome e sem saber aonde ir. Os apóstolos queriam despedir o povo para que fossem comer em suas próprias casas.

Jesus ordena: “dai-lhes vós mesmos de comer”Como os apóstolos: perguntamos onde arranjar comida para toda essa gente? Somos tentados a voltar para casa, a cuidar da nossas vidas, a confiar na força do dinheiro.


“Vejam ai o que vocês tem para comer.”  “Organizem o povo em grupos de 50 pessoas e distribuam os pães e os peixes.”E o milagre aconteceu. Todos comeram e sobraram pães e peixes.. A prática de Deus é a partilha. Cada um, partilhando o que tem, é possível resolver a necessidade do povo.


A sobrevivência das pessoas não é uma responsabilidade apenas delas. Elas não podem ter a solução em casa.

É preciso procurar as forças, conhecimentos e organizar a partilha do grupo, que vai muito além do dar dinheiro e comida ao necessitado. É com o esforço e a partilha de cada um que se pode satisfazer as mais diversas necessidades de todos.

“Vejam ai o que vocês tem para enfrentar o sofrimento do povo, hoje? Não temos somente pães e peixes para partilhar. Temos também o poder de organizar a sociedade em favor da vida. Jesus nos convoca. Respondamos com alegria! 


A ECONOMIA DE DEUS

Pela Bíblia vemos que o nosso Deus é um apaixonado pela humanidade. A humanidade é sua amada e Ele a quer totalmente feliz, fraterna, liberta, participante do banquete do Reino. Ele quer vida plena para todos, em fraterna igualdade.   Para isso Deus desenvolve sempre uma política de salvação a começar pelos mais necessitados. Jesus é o testemunho máximo dessa paixão e dessa política de Deus.

A nossa sociedade hoje tem uma economia organizada no modelo “neoliberal”.  Nesse modelo o “livre mercado” (compra e venda de bens)  é o único caminho para  a felicidade e o progresso das pessoas.  E devemos nos sacrificar para adquirir as mercadorias, pois a felicidade, o prazer, a realização máxima da vida humana está no “consumir”, no Ter. A mercadoria tem um poder de sedução, de fascínio sobre as pessoas.

Para o Deus de Jesus, toda posse deve ser para a promoção da vida para todos.  Quando a propriedade não é uma ferramenta de construção do Reino de Deus, ela é uma ação contraria a Deus.

Para que a humanidade seja feliz é preciso que um irmão não domine e não explore o outro.


Ser humano é ser fraterno. Ser fraterno é promover a partilha do ser e do ter.

CRITÉRIOS PARA UMA PASTORAL SOCIAL


01
O ponto de partida é os mais empobrecidos de nossa sociedade. É preciso ouvir seu clamor, sentir sua aflição e fazer-se companheiro, numa luta pela libertação.


02
O lugar social e geográfico da ação é o dos mais empobrecidos. São as favelas, os morros, as ocupações, os lugares onde a vida está em risco. São as categorias: desempregados, sem casa, doentes etc.


03
O sujeito da ação é o próprio povo despojado de seus direitos á uma vida digna. O agente é companheiro, cooperador para que o povo se aproprie do processo de organização e avance na conquista de seus direitos.


04
Os objetivos da ação são tirados a partir das necessidades mais sentidas pelo povo (água, comida, terra, casa, trabalho, saúde, formação, organização). É uma ação que vai as raízes dos problemas e visa a libertação das pessoas, em categorias, em comunidade.


05
O planejamento da ação: A ação é planejada e feita com os empobrecidos, com a divisão das tarefas e rodízio das lideranças para participação e crescimento de maior número de pessoas.


06
Articulação: Unir os grupos de trabalho para trocar experiências, aprofundar a caminhada e somar forças no enfrentamento dos problemas.


07
Caminho: Não existem esquemas prontos. O caminho é o compromisso com a causa dos empobrecidos. Cada comunidade de trabalho constrói o seu caminho.


08
Mística libertadora: Iluminar a caminhada com a Luz da Palavra de Deus segurando momentos de aprofundamento da fé e de oração.

09

Caminhada celebrativa: Celebrar a caminhada com liturgias e celebrações ecumênicas
10
Avaliar sempre e redimensionar a prática em função de atingir a meta.


11

Assegurar os valores humanos, comunitários e cristãos na caminhada em vista da construção do Homem Novo (em Cristo) e de uma Nova Sociedade (justa e fraterna) como mediação para o Reino.

12

Ação Ecumênica, feita e celebrada com pessoas de várias denominações cristãs.

DEZ PASSOS DA PEDAGOGIA DE JESUS

1.      Ter compaixão pelo povo.  Jesus não ficou indiferente, mas foi tomado de compaixão.

2.      Manter-se a serviço. Ser solidário.  Responsabilizar-se pelo outro. Assumir a causa dos mais necessitados. “Dai-lhes vós mesmos de comer”.

3.      Partir dos recursos que o povo tem. “Ide ver o que o povo tem”. Trabalhar a partir da realidade e com os recursos que o povo tem.  Aproveitar e fazer desenvolver os dons que o povo tem. Valorizar o potencial latente nas pessoas. Ser criativo.

4.      Organizar o povo. Organizar em grupos, em comunidades, em projetos. ”Fazei-os acomodar em grupos de 100 ou 50...”   Fazer o povo tornar-se sujeito do seu processo histórico de salvação.

5.      Manter a fé. Manter-se unido a Deus e unido ao povo. “elevando os olhos, abençoou o pão.”  A fé em Deus e a misericórdia  (compaixão) é o motor do compromisso com os empobrecidos.

6.      Organizar a partilha.  Partir e repartir o pão. Forjar a fraternidade.  Administrar a socialização dos recursos para multiplica-los e fortalecer a vida do povo.  “Partiu os pães e os peixes”.

7.      Dividir as tarefas entre todos. Formar e multiplicar lideranças. O trabalho é de cada um e de todos. Não há soluções mágicas. É preciso muito trabalho e trabalho duro. “deu a seus discípulos para que distribuíssem às multidões.”

8.      Eficácia da ação. O trabalho tem que ser feito e tem que resolver o problema. Ação integrada entre os discípulos.  “todos comeram e ficaram satisfeitos”.

9.      Não desperdiçar nada. Recolher tudo o que as comunidades tem (de potencial, de possibilidades) para fazer multiplicar, em benefício de todos.


10.  Promover a Solidariedade e a justiça.